Ébola na RDC enfrenta crise de financiamento
Por TopAngola ·

Resumo:
A resposta ao surto de Ébola na RDC é travada por falta de financiamento, conflito armado e fragilidade humanitária. Autoridades e parceiros pedem ação regional urgente.
Pontos-chave:
A resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo está a ser travada por dois factores centrais: falta de financiamento e insegurança no leste do país. A OMS diz que o orçamento inicial de 518 milhões de dólares ainda não foi totalmente disponibilizado, enquanto a violência dificulta equipas, logística e acesso às comunidades afetadas.
Os dados mais recentes indicam uma situação grave, com 1.406 casos confirmados e 438 mortes até 30 de junho. A taxa de letalidade situa-se nos 31,2%, e autoridades sanitárias admitem que a transmissão continua a expandir-se em algumas áreas, exigindo maior vigilância, rastreio de contactos e reforço da resposta clínica.
Jean Kaseya, da Africa CDC, classificou o surto como “muito grave” e sublinhou que o objetivo é contê-lo rapidamente para evitar uma crise prolongada. O responsável apelou a apoio internacional efetivo e insistiu que os compromissos financeiros sejam convertidos em assistência concreta às comunidades que enfrentam o impacto da doença.
A dimensão humanitária agrava o cenário. A ministra Eve Bazaiba alertou que cerca de 15 milhões de congoleses precisam de ajuda urgente, num país onde Ebola, cólera e sarampo coexistem em várias zonas. Segundo as autoridades, o vírus alimenta uma espiral em que a vulnerabilidade social facilita a propagação e dificulta o controlo epidemiológico.
Além da resposta local, cresce a aposta numa coordenação regional e científica. Há ensaios clínicos em curso para avaliar o anticorpo MBP134 e o remdesivir, enquanto a China enviou uma segunda equipa de especialistas para apoiar investigação, testes e formação. Tshisekedi e Ramaphosa defenderam cooperação, cessar-fogo e proteção dos profissionais de saúde.



