Ébola na RDC torna-se a segunda epidemia mais letal

Resumo: O surto de Ébola na RDC soma 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados, tornando-se o segundo mais letal da história. A crise agrava-se com greves, violência rebelde e desinformação.
Pontos-chave
O actual surto de Ébola na República Democrática do Congo atingiu 2.325 mortes confirmadas e 4.945 casos, tornando-se o segundo mais letal de sempre. Os números superam a epidemia de 2018-2020 no leste do país, embora continuem abaixo do grande surto da África Ocidental, entre 2014 e 2016, que causou 11 mil mortes.
As autoridades e a OMS alertam que a propagação ocorreu num contexto extremamente difícil. Greves de profissionais de saúde, atrasos salariais, ataques de grupos rebeldes e desconfiança de comunidades traumatizadas estão a travar o controlo da doença. A desinformação, que insiste em negar a existência do vírus, também alimenta o alastramento.
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Segundo os dados citados, seis das 26 províncias congolesas já foram afectadas. O vírus terá começado a circular no leste da RDC em Fevereiro, embora um estudo publicado na revista Science sugira que as primeiras infecções poderão ter ocorrido ainda em Janeiro, o que indicaria uma transmissão inicial mais precoce.
A epidemia é associada à estirpe Bundibugyo, identificada no Uganda em 2007, com taxa de letalidade entre 30% e 50%. Até ao momento, não existe vacina autorizada nem tratamento específico para esta variante, o que reforça a preocupação das autoridades sanitárias perante a rapidez com que os óbitos se acumulam.
O surto já deixou de ser um problema apenas regional. Após a declaração da epidemia em Ituri, houve registo de casos no Uganda, país que mais tarde se declarou livre do Ébola. A transmissão por contacto com fluidos corporais mantém o alerta internacional elevado, sobretudo face ao risco de novos contágios e exportação da doença.
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