EUA e Angola avançam em acordos estratégicos

Resumo: Estados Unidos propõem Acordo-Quadro sobre minerais críticos e reativam AGOA; Angola participa visando investimentos, tecnologia e acesso a mercados.
Pontos-chave
Na primeira Reunião Ministerial sobre Minerais Críticos, realizada em Washington, os EUA propuseram a criação de um Acordo-Quadro sobre Minerais Críticos com o objetivo de padronizar princípios para investimentos responsáveis, cooperação tecnológica e resiliência das cadeias de abastecimento. Angola marcou presença diplomática, apontando para uma estratégia de atração de financiamento e valorização dos seus recursos naturais estratégicos.
O vice-presidente norte-americano abriu o encontro destacando a centralidade dos minerais críticos para a segurança económica e a transição energética. A iniciativa surge como resposta à concentração global de produção e refino, e procura estabelecer parcerias com países politicamente estáveis e ricos em recursos. Para Angola, a participação significa reconhecimento internacional e oportunidade para integrar cadeias de valor.
Paralelamente, os Estados Unidos reativaram o regime preferencial AGOA para cerca de 30 países da África subsaariana, permitindo exportações sem tarifas para mais de sete mil produtos. A extensão temporária abre janelas para diversificação de exportações angolanas e atração de investimento, embora seja condicionada a critérios de governação, direitos humanos e medidas anti-corrupção, exigindo ajustamentos domésticos.
A presença angolana foi assegurada pelo embaixador Agostinho Van-Dúnem, que qualificou as iniciativas como marcos de diplomacia económica. O país procura aproveitar memorandos bilaterais, como o IGED–USG para Ciências da Terra, para acelerar o mapeamento geológico e a exploração responsável de lítio, grafite, manganês, cobre, níquel, cobalto e terras raras, todos relevantes para baterias e tecnologias limpas.
Analistas sublinham que a integração num Acordo-Quadro liderado pelos EUA pode trazer tecnologia, mercados e financiamento, mas também maior rigor em transparência e sustentabilidade ambiental. Angola equaciona, assim, ganhos económicos e desafios regulatórios; a estratégia passa por alinhar políticas públicas, fortalecer governação e criar condições para transformar o potencial mineral em desenvolvimento inclusivo.



