Impacto do PROPRIV nas privatizações

Resumo: Resumo consolidado sobre o Programa de Privatizações (PROPRIV) em Angola: receitas, limitações e efeitos económicos observados entre 2019 e 2025.
Pontos-chave
O Programa de Privatizações (PROPRIV) registou, entre 2019 e Setembro de 2025, receitas contratuais e arrecadações que suscitam debates sobre eficácia e estratégia. Especialistas apontam que a privatização foi muitas vezes motivada por necessidades fiscais e não por uma visão de mercado sustentada, limitando o impacto transformador esperado em termos de emprego e diversificação produtiva.
Dados oficiais indicam que foram privatizados 116 activos e empresas, com um valor contratualizado aproximado de 1,26 bilião de kwanzas, dos quais 59,77% já foram arrecadados. Em termos de transferências, 101,74 mil milhões de kwanzas entraram nos cofres do Estado, incluindo 93,96 mil milhões canalizados para a Conta Única do Tesouro (CUT), segundo relatórios recentes.
Nos últimos 21 meses, 15 processos foram concluídos — seis em Janeiro–Setembro de 2025 e nove em 2024 — totalizando 369,58 mil milhões de kwanzas contratualizados. Analistas destacam que, apesar dos números, faltam sinais claros de melhorias na competitividade e de criação sustentada de emprego, o que indica lacunas na concepção e execução das políticas de privatização.
A estratégia governamental prevê manter a redução da presença estatal na economia e prorrogar o PROPRIV até 2026, com ênfase na promoção da iniciativa privada e na mitigação de riscos fiscais associados ao Sector Empresarial Público. Para maximizar resultados, especialistas recomendam políticas complementares: acesso a crédito, ambiente de negócios robusto e metas claras de desenvolvimento produtivo.
Em suma, o balanço do PROPRIV é misto: receitas relevantes foram obtidas, mas o impacto socioeconómico pleno permanece incerto. É crucial que o Executivo alinhe privatizações a estratégias de longo prazo que priorizem investimento produtivo, emprego e competitividade, além de garantir transparência e mecanismos que protejam o interesse público durante as transferências de activos.


