Dependência de Angola no clínquer asiático

Resumo: Importações de clínquer cresceram 216%, expondo Angola à concentração em mercados asiáticos e ao impacto dos custos logísticos. Pressão sobre preço do cimento persiste.
Pontos-chave
No último ano, Angola importou 186.934 toneladas de clínquer, um aumento de 216% face ao período anterior, segundo dados da ARCCLA; esse salto demonstra uma concentração importante nas compras externas e uma dependência crescente de fornecedores distantes, sobretudo na Ásia, o que torna o custo do insumo sensível a flutuações cambiais e variabilidade nos fretes marítimos.
Mais de 85% do clínquer veio de países asiáticos como Paquistão, Indonésia e Vietname, responsáveis por 158.575 toneladas; essa origem dominante expõe a cadeia de abastecimento angolana a riscos geopolíticos e logísticos, reduzindo alternativas locais e regionais, e obrigando grandes players industriais a operar com terminais dedicados e importações a granel para satisfazer a procura interna.
O aumento das importações não traduziu-se em queda do preço do saco de cimento devido a custos logísticos elevados, paragens temporárias na produção nacional e especulação comercial; o saco de 50 kg tem sido vendido entre oito mil e dez mil kwanzas no mercado informal, pressionando obras e setor da construção, e motivando medidas governamentais para permitir novamente a importação direta de cimento após mais de uma década.
A concentração de origem do clínquer implica que qualquer choque logístico ou de custo na Ásia repercute rapidamente no preço local, afetando a reposição de stock e a competitividade das cimenteiras nacionais; analistas sublinham a necessidade de diversificação de fornecedores, investimentos em capacidade local e acordos logísticos que reduzam exposição a fretes de longo curso e volatilidade cambial.
O governo autorizou recentemente a importação de cimento para tentar conter preços e suprir a quebra de produção interna, com importações atribuídas a grupos como o Kileba; esta decisão é vista como medida temporária para aliviar o mercado, enquanto o setor avalia estratégias para reforçar produção doméstica e mitigar dependência de mercados distantes no médio prazo.



