Inflação em Angola recua para 12,42% em março

Resumo: A inflação homóloga em Angola caiu para 12,42% em março de 2026, apontando continuidade da desinflação iniciada em 2024. Dados do INE mostram desaceleração generalizada por classes de despesa e variação provincial.
Pontos-chave
Em março de 2026, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou uma taxa homóloga de 12,42%, valor mais baixo em 32 meses, sinalizando uma desaceleração sustentada dos preços no país; a tendência reflete uma queda progressiva desde o pico de 2024 e confirma a estabilização iniciada em meados de 2025, influenciada por políticas macroeconómicas e pela estabilidade cambial.
O comportamento por classes de despesa revela que Transportes liderou os aumentos com variação homóloga de 16,59%, enquanto Habitação, Água, Electricidade e Combustíveis também cresceram substancialmente; Educação e Saúde registaram subidas em torno de 13,40%, indicando pressões persistentes em serviços essenciais apesar da tendência geral de desinflação observada nos últimos meses.
Analisando as províncias, verifica-se heterogeneidade: Cunene, Huambo e Namibe apresentaram as menores variações, próximas dos 9,9%–10,6%, enquanto Cabinda, Malanje e Lunda-Sul mostraram os maiores aumentos, com Cabinda a atingir cerca de 19,56%; essa dispersão regional ressalta choques locais e diferenças na dinâmica da oferta e procura entre províncias.
O percurso temporal mostra uma queda consistente desde o pico de 31,09% em julho de 2024, com descidas mensais que se traduziram em valores progressivamente mais baixos ao longo de 2025 e início de 2026; analistas atribuem a tendência a medidas de política monetária, estabilidade do kwanza e condições de oferta que aliviaram pressões inflacionistas acumuladas.
Perspetivas apontam para uma continuidade da desinflação, mas ainda distante do dígito único: o Banco Nacional de Angola estima cerca de 13,5% para 2026 no total do ano; embora a redução para 12,42% em março seja encorajadora, mantém-se a necessidade de políticas coordenadas para preservar poder de compra e consolidar a travessia para níveis de inflação de um dígito.


