Interpol prende 651 em 16 países africanos

Resumo: Operação coordenada pela Interpol, chamada “Cartão Vermelho 2.0”, deteve 651 suspeitos em 16 países africanos e apreendeu milhões de dólares, expondo redes de phishing, fraudes por telemóvel e esquemas de criptomoedas.
Pontos-chave
A Interpol coordenou a operação Cartão Vermelho 2.0 entre 8 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2026, envolvendo 16 países africanos e forças policiais locais. 651 pessoas foram detidas no âmbito de investigações sobre fraudes digitais e cibercriminação, com apreensões financeiras que ultrapassaram os milhões e um impacto global reportado a partir de vítimas identificadas em várias regiões.
Os esquemas desarticulados combinavam promessas de lucros fáceis, investimentos falsos em criptoativos e fraudes via telemóvel, muitas vezes facilitadas pelo roubo de dados pessoais em sites ou aplicações móveis fraudulentas. Phishing foi destacado como método central, utilizado para obter credenciais, detalhes bancários e informações sensíveis que serviam para sustentar redes de golpes sofisticados e transnacionais, afetando populações vulneráveis.
As autoridades estimaram prejuízos que podem exceder os 45 milhões de dólares, apesar de terem apreendido cerca de 4,3 milhões de dólares durante as ações. A Interpol e parceiros locais identificaram 1.247 vítimas conhecidas, mas alertaram que o número real pode ser bem maior, uma vez que muitas vítimas ainda não apresentaram queixas formais ou não descobriram as perdas devido a técnicas de ocultação e transferência internacional de fundos.
Casos específicos evidenciaram variações do modus operandi: na Nigéria, redes usavam phishing para vender investimentos fraudulentos em activos digitais; na Costa do Marfim, operações contra fraudes por telemóvel prenderam 58 pessoas que exploravam populações desfavorecidas com ameaças e práticas abusivas. A coordenação internacional permitiu partilha de informação e ações sincronizadas, ampliando a capacidade de rastrear e bloquear mecanismos de fraude online.
A Interpol apelou às vítimas para apresentarem queixas junto das autoridades nacionais e aumentou campanhas de sensibilização sobre segurança digital, boas práticas e identificação de conteúdos falsos. Especialistas recomendam verificação de fontes, uso de autenticação forte, cautela com links e aplicações desconhecidas e denúncia imediata de contactos suspeitos, medidas que podem reduzir a circulação de golpes semelhantes no futuro e proteger potenciais alvos.


