Lourenço: ONU em situação de humilhação

Resumo: João Lourenço criticou a incapacidade das Nações Unidas em manter a ordem internacional, alertando para a crescente impunidade e o retrocesso democrático em África. Propõe reforço de medidas diplomáticas e condenação dos golpes.
Pontos-chave
Em 23 de janeiro de 2026, em discurso dirigido ao corpo diplomático, o Presidente João Lourenço denunciou o que chamou de esvaziamento intencional das responsabilidades das Nações Unidas, alertando que essa fragilidade favorece a sobreposição da lei da força à força da lei e abre espaço para a desordem internacional, com impactos diretos na estabilidade regional e na segurança global.
O chefe de Estado sublinhou que a atuação limitada da ONU resulta de práticas unilaterais de potências mundiais, muitas das quais são membros permanentes do Conselho de Segurança, e que essa dinâmica constitui, nas palavras do próprio, uma espécie de humilhação institucional que compromete o respeito pelo Direito Internacional, pela soberania dos Estados e pela integridade territorial das nações.
João Lourenço vinculou a fragilidade do sistema multilateral aos recentes golpes de Estado e ao retrocesso democrático em África, defendendo que a consolidação de regimes constitucionais e democráticos é essencial para retirar legitimidade aos promotores de mudanças inconstitucionais de governo e para garantir estabilidade, justiça e desenvolvimento sustentável em todo o continente africano.
O Presidente advocou por respostas políticas e diplomáticas mais rigorosas para condenar e desencorajar golpes, propondo maior coordenação entre Estados africanos e parceiros internacionais, reforço de mecanismos regionais de prevenção e sanção, e recuperação do espaço multilateral para que a comunidade internacional volte a responsabilizar atores que atentem contra a ordem e a paz.
Analistas ouvidos consideram que a mensagem aumenta a pressão sobre instituições multilaterais para reforma e maior eficácia, e que a insistência de Angola no reforço de alianças diplomáticas em 2025 visou precisamente construir uma base de confiança capaz de enfrentar os desafios da balcanização, da contestação eleitoral e da proliferação de crises que hoje ameaçam a governança democrática.


