Lourenço intensifica diálogos em Adis Abeba

Resumo: João Lourenço manteve encontros com líderes africanos em Adis Abeba durante a 39.ª Cimeira da UA, abordando paz, segurança e integração regional. Propostas inclinaram-se para cessar-fogo e facilitação de diálogos na RDC.
Pontos-chave
Em Adis Abeba, durante a trigésima nona Cimeira da União Africana, o Presidente João Lourenço reuniu-se com homólogos para tratar de questões de paz e segurança no continente. Em encontros bilaterais, abordaram-se iniciativas de mediação, cooperação regional e a necessidade de mecanismos que assegurem cessar-fogo e monitorização efetiva em zonas de conflito, sobretudo na região dos Grandes Lagos.
No diálogo com o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, destacou-se a proposta angolana para um novo cessar-fogo e o impulso a mecanismos de verificação negociados em Doha. As conversas enfatizaram a importância de consultas amplas e inclusivas para preparar um processo de diálogo inter-congolês, com Angola mandatada para facilitar contactos entre as partes interessadas e criar condições para negociações credíveis e sustentáveis.
No encontro com o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, discutiu-se o reforço das relações bilaterais e a cooperação em matérias de segurança regional, comércio e investimento. Ambos os líderes sublinharam a necessidade de coordenação entre Estados africanos para enfrentar ameaças transnacionais, promover estabilidade e proteger processos democráticos, com referência explícita à neutralização de grupos armados e retirada de forças estrangeiras onde for aplicável.
Outros temas em destaque na agenda incluíram a reforma institucional da União Africana, o aprofundamento da integração económica e a implementação da Zona de Livre Comércio Continental Africana. Em audiências separadas com chefes de Estado da região, discutiram-se também áreas como defesa, agricultura e infraestrutura, com ênfase em parcerias práticas para dinamizar comércio intrarregional e investimentos em projetos estratégicos.
Analistas presentes e delegações consideraram relevante que Angola tenha recebido mandato para promover consultas inter-congolesas e que se recordassem decisões anteriores, como o Acordo de Washington e resoluções do Conselho de Segurança da ONU. A posição angolana pretende conciliar medidas diplomáticas e mecanismos de verificação para garantir progressos tangíveis na segurança e no diálogo político na região dos Grandes Lagos.



