Morte de Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito

Resumo: Dom Zacarias Kamwenho, arcebispo emérito do Lubango e vencedor do Prémio Sakharov, faleceu em Luanda aos 91 anos. Figura central no processo de paz em Angola, deixa legado pastoral e ecuménico.
Pontos-chave
Dom Zacarias Kamwenho faleceu em Luanda, vítima de doença, enquanto estava internado no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha "Pedalé". A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) divulgou a informação e prestou solidariedade às dioceses afetadas e à família, destacando a trajectória pastoral de quem foi bispo, arcebispo e mediador nos processos de paz que marcaram o país.
Nascido na província do Huambo e ordenado sacerdote em 1961, Dom Zacarias assumiu várias responsabilidades formativas e pastorais, incluindo reitor do Seminário Maior e nomeação como bispo auxiliar em 1974. A sua carreira incluiu a liderança da diocese do Sumbe e, mais tarde, a Arquidiocese do Lubango, onde se distinguiu pela promoção do diálogo, da formação e do engajamento social junto das comunidades locais.
Ao longo da sua vida pública, Dom Zacarias participou activamente em iniciativas ecuménicas e de mediação, presidindo à CEAST e ao Comité Ecuménico para a Paz em Angola (COIEPA). Em 2001, pelo seu papel no processo de paz e reconciliação nacional, foi co‑vencedor do Prémio Sakharov do Parlamento Europeu, reconhecimento internacional que ressaltou a sua dedicação à liberdade de pensamento e ao consenso.
A nota institucional recorda ainda o percurso académico e pastoral do prelado, que trabalhou como professor na Missão Bela Vista, foi vice‑reitor e reitor de seminário e exerceu funções de responsabilidade durante décadas. A sua contribuição para a formação do clero e para o tecido comunitário angolano é sublinhada por colegas, religiosos e leigos que acompanham este momento de luto e memória.
As cerimónias fúnebres e as mensagens de solidariedade serão divulgadas pela CEAST e pelas dioceses de que fez parte, incluindo Lubango e Sumbe. A morte de Dom Zacarias abre espaço para recordações sobre o seu papel como mediador, homem de Igreja e referência moral, deixando um legado que deverá influenciar o diálogo social e religioso em Angola pelas próximas gerações.



