Níger acusa França de motim militar

Resumo: Niamey acusa Paris de apoiar o motim na Base Aérea 101 e promete levar o caso a instâncias internacionais, enquanto França nega tudo.
Pontos-chave
O Governo do Níger afirmou ter reunido provas substanciais de que a França incitou o ataque frustrado à Base Aérea 101, em Niamey, durante o motim de 28 e 29 de Agosto. As autoridades nigerinas dizem que o caso envolve uma rede de cúmplices e reservam-se o direito de o levar a tribunais internacionais.
Segundo Niamey, o ataque começou na base situada junto ao aeroporto internacional e alastrou à zona do palácio presidencial, com explosões e tiros a serem ouvidos na capital. O Exército nigerino disse ter retomado o controlo das instalações, enquanto o Governo aponta para uma tentativa coordenada de desestabilização interna.
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Em Paris, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, rejeitou as acusações e classificou-as como “pura fantasia”. O responsável garantiu que a França nunca teve intenção nem meios para intervir, numa resposta que sublinha a crescente tensão diplomática entre os dois países desde o golpe de Estado de 2023.
As acusações surgem num contexto de forte reconfiguração geopolítica no Sahel. Após afastar parceiros ocidentais, a junta liderada pelo general Abdourahamane Tiani aproximou-se da Rússia, incluindo apoio do Africa Corps. Analistas dizem que o episódio expõe divisões nas forças armadas e a fragilidade política do regime militar.
Enquanto o Níger procura responsabilizar actores externos, também surgiram manifestações de apoio à junta em Niamey, com milhares de pessoas nas ruas e presença de ministros do Governo. O caso pode agravar o isolamento regional e abrir uma nova frente jurídica e diplomática entre Niamey, Paris e outros países africanos.


