Recuperação de créditos e nova governação bancária

Resumo: Síntese sobre recuperação de créditos do BPC, vendas de divisas do Tesouro e novas regras de governação bancária; impactos e evolução recente do setor financeiro angolano.
Pontos-chave
A análise reúne relatos sobre a Recredit e a recuperação de carteiras do BPC, destacando que apenas 12% do valor foi recuperado até 2025, com forte recurso a dações e acordos de pagamento. O relatório cita números nominais elevados em kwanzas que perderam valor face ao dólar, e descreve processos em negociação e litígio que retêm montantes relevantes.
No mercado cambial, o Tesouro Nacional privilegia bancos que atuam como market makers na compra de dívida pública, tendo BAI, BFA e Standard Bank concentrado a maior fatia das vendas de divisas em 2025. Essa prática gera queixas de outras instituições, citadas em entrevistas, e revela ligação operacional entre a gestão da dívida pública e a liquidez disponível no sistema bancário.
O Banco de Cabo Verde manteve a taxa directora em 2,5%, num quadro de reservas externas confortáveis e trajectória descendente da dívida pública em percentagem do PIB, sinalizando estabilidade macroeconómica. A decisão é apresentada como coerente com objetivos de estabilidade de preços e credibilidade cambial, influenciando expectativas regionais sobre política monetária em contextos de inflação subjacente persistente.
O Banco Nacional de Angola introduziu um novo Código de Governo Societário que impõe administradores independentes e canais formais de denúncia nos bancos, além de comités especializados de auditoria, risco e controlo interno. Estas medidas visam reforçar transparência, reduzir conflitos de interesse e elevar padrões de supervisão e gestão de risco no sector financeiro, com potenciais efeitos nas práticas internas e na confiança do mercado.
Conjugando recuperação de activos tóxicos, gestão das vendas de divisas pelo Tesouro e reformas de governação, o panorama aponta para uma combinação de pressões operacionais e reformas institucionais. Analistas e agentes referem que há oportunidades para aprofundar mecanismos de fiscalização, melhorar a eficiência de recuperação de crédito e alinhar incentivos entre bancos e entidades públicas para garantir maior estabilidade financeira.



