Famílias angolanas lutam com salário mínimo

Resumo: Em Angola, o salário mínimo de 70 000 kwanzas mal garante refeições. Famílias vivem insegurança alimentar, enfrentam altos gastos com água e educação.
Pontos-chave
Em Angola, o salário mínimo de 70 000 kwanzas mal cobre as necessidades de um agregado com oito filhos. António Rodrigues Cahassa, técnico de eletricidade em Luanda, vive num imóvel precário de dois quartos e uma sala, sem água corrente, e sobrevive apenas com duas ou três refeições mensais. No bairro Dangereux, o alto custo do cabaz e a falta de escolas públicas agravam a insegurança alimentar.
Mensalmente, a família destina cerca de 18 000 kwanzas apenas para comprar água, devido à ausência de fornecimento público. Além disso, o pagamento de propinas para quatro filhos em ensino privado consome grande parte do orçamento. Nos dias sem salário, a alimentação resume-se a papa de fuba com açúcar, gerando profunda privação alimentar e comprometendo a saúde e bem-estar de todos os membros do agregado.
Na semana em que António recebe o salário, a família consegue incluir alguma proteína: cabuenha — um peixe seco miúdo — e feijão acompanhados de funge de milho com rama. Contudo, essa refeição mais nutritiva dura apenas os primeiros dias; em seguida, volta-se para alimentos mais baratos e menos balanceados, como fuba de milho com açúcar, evidenciando a instabilidade alimentar diária vivida neste agregado.
A partir de 16 de Setembro, o novo salário mínimo fixado em 100 000 kwanzas não deve alcançar todos os trabalhadores, segundo Cahassa, que teme ainda aumento nos preços da cesta básica. Ele pede fiscalização às empresas para inclusão de todos e critica a falta de políticas públicas inclusivas. A visão é unânime: o reajuste é visto como insuficiente perante o custo real de vida em Angola.
Com o rendimento “precário”, Cahassa adiou projetos de vida, incluindo o retorno à sua província de origem, Uíje, e espera condições para a esposa ajudar nas despesas. Ele defende que o governo deve reduzir o preço da cesta básica e investir em educação e formação profissional. A comunidade clama por políticas que proporcionem dignidade e segurança, alicerçando o sonho de ver todos os filhos formados.



