SINSE e o spyware Predator em Angola

Resumo: Documentos apontam que o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) adquiriu o spyware Predator; investigação forense liga o software a vigilância de jornalista. Autoridades são instadas a esclarecer responsabilidades.
Pontos-chave
O jornal Expresso obteve uma ficha de informação de abril de 2021 que indica o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) como utilizador final do spyware Predator; a ficha menciona revendedor identificado e contactos ligados a uma consultora. A revelação lança dúvidas sobre operações de vigilância estatal e prepara o terreno para investigações judiciais e mediáticas.
O jornalista Teixeira Cândido denunciou ter sido alvo de vigilância depois de análises forenses da Amnistia Internacional terem identificado vestígios do Predator no seu telemóvel em 2024; ele apresentou queixa-crime ao procurador-geral invocando violação da intimidade e dispositivos legais que criminalizam interceptações sem consentimento. O caso reacende debates sobre liberdade de imprensa e segurança digital em Angola.
Relatórios técnicos descrevem o Predator como um spyware altamente intrusivo com capacidade para aceder mensagens, chamadas, contactos, ficheiros e ativar microfone e câmara remotamente; a Amnistia Internacional e laboratórios forenses associaram links de infeção do jornal a ataques dirigidos. O padrão de isca costuma envolver páginas que imitam órgãos de comunicação, levando utilizadores a clicar em ligações maliciosas que instalam o software.
Fontes indicam que o contrato teria sido fechado com um revendedor identificado e ligações a empresas do consórcio Intellexa; além disso, documentos apontam reuniões prévias entre representantes angolanos e empresas estrangeiras. Observadores sublinham que estes produtos são geralmente vendidos a governos, por isso a suposta aquisição pelo SINSE exige clarificações oficiais e investigação sobre cadeias de responsabilidade e autorização.
A investigação mais ampla sobre vigilância em Angola, envolvendo ONGs e entidades de direitos humanos, identificou múltiplos domínios manipulados para servir de armadilhas e uma possível capacidade de intercepção móvel em perímetros locais. Analistas e defensores dos direitos digitais pedem transparência, responsabilização e medidas técnicas para proteger jornalistas e cidadãos contra abusos de ferramentas de intrusão digital.


