Mercado Petrolífero Angolano em Cenário Volátil

Resumo: Exportações de petróleo de Angola subiram, mas o preço médio caiu para US$69/barril devido a oscilações geopolíticas e oferta global.
Pontos-chave
No terceiro trimestre de 2025, Angola exportou cerca de 91 milhões de barris de petróleo bruto, registando uma queda anual de 10,91%. Em comparação com o segundo trimestre, contudo, houve um aumento de 7,19% no volume exportado e de 9,25% no valor arrecadado. O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás destacou o cenário de volatilidade do Brent, com preço médio de US$69 por barril.
Analistas atribuem a queda de preço a factores geopolíticos, ao excedente de oferta global e às sanções aplicadas às grandes petrolíferas russas. A relação entre oferta e procura mantém-se desequilibrada, com estoques elevados e possibilidade de maior acesso a petróleo iraniano e asiático. Apesar disso, o Governo angolano mantém o objetivo de produzir, em média, mais de um milhão de barris por dia até 2030.
O secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, salientou a importância de monitorar conflitos como os de Gaza e Ucrânia para antecipar flutuações futuras. O desempenho da OPEP+ também pode alterar significativamente o equilíbrio do mercado, dado o aumento anunciado nos níveis de produção por alguns membros. A estabilidade política internacional continuará a ser um elemento crítico para o preço do barril.
Apesar das iniciativas para compensar o declínio dos campos maduros, houve meses com produção média inferior a um milhão de barris devido a manutenções. O Governo lançou novos projetos de exploração para reforçar a produção futura, mas o desinvestimento das majors pode comprometer esses esforços. A transição energética e as preocupações ambientais adicionam pressão, exigindo estratégias para atrair investimentos e modernizar o setor.
No segmento de gás natural, foram exportadas 1,6 milhões de toneladas métricas, com destaque para o GNL, que representou 88,62% das vendas. A receita bruta alcançou US$900,7 milhões, maioritariamente direcionada para a Ásia. A China permanece como principal destino do petróleo angolano, com 59,63% das exportações, seguida pela Índia, Indonésia e Espanha, refletindo a forte dependência do mercado asiático, consolidando as relações comerciais.


