Acidente provoca 22 mortos e 12 feridos no Cuanza-Sul

Vinte e duas pessoas morreram e outras 12 ficaram gravemente feridas, na sequência de um acidente de viação ocorrido na madrugada de segunda-feira, na Estrada Nacional 100, no município da Gangula, província do Cuanza-Sul, envolvendo um autocarro da transportadora Macon e uma motorizada de três rodas que transportava combustível.
Segundo o porta-voz do Comando da Polícia Nacional no Cuanza-Sul, Mário de Sousa, o autocarro — que transportava 47 pessoas da rota Benguela-Luanda — colidiu com o motociclo de três rodas, onde seguiam quatro ocupantes. O embate ocorreu a cerca de 250 metros do entroncamento da Centralidade da Quibala. Segundo o superintendente-chefe, o sinistro terá sido provocado por presumível excesso de velocidade do autocarro, que embateu contra a motorizada carregada com bidões de gasolina e, em consequência do forte impacto, os dois veículos incendiaram e ficaram completamente carbonizados, resultando em 22 mortos e 29 sobreviventes, entre os quais 12 sofreram ferimentos graves. TransferênciaO director do Gabinete Provincial da Saúde do Cuanza-Sul, Nelson Camilo, informou que, dos 21 pacientes assistidos no Hospital Geral “17 de Setembro”, quatro foram transferidos para o Hospital dos Queimados Julius Nyerere, em Luanda, devido à gravidade do seu estado clínico, dos quais três apresentam queimaduras de segundo grau e um com queimaduras de primeiro grau. Segundo o responsável, outros quatro sobreviventes, que apresentavam queimaduras ligeiras, foram encaminhados para o Hospital Geral do Cuanza-Sul “Comandante Raúl Diaz Arguelles”, onde continuam a receber assistência médica especializada, tendo garantido que todos se encontram fora de perigo e com uma evolução clínica favorável. O director do Gabinete Provincial da Saúde acrescentou que 13 sobreviventes já receberam alta médica, após responderem positivamente ao tratamento e assegurou que as equipas de saúde continuam mobilizadas para acompanhar a recuperação dos pacientes internados. João Lourenço endereça condolências às famílias das vítimas O Presidente da República, João Lourenço, manifestou profunda consternação pelo grave acidente de viação ocorrido na Estrada Nacional 100 (EN-100), na província do Cuanza-Sul, que provocou dezenas de mortos e feridos. “Foi com profunda consternação que tomei conhecimento do trágico acidente de viação ocorrido na madrugada de segunda-feira, na província do Cuanza-Sul, e que ensanguentou, uma vez mais, as nossas estradas”, lê-se numa nota a que o Jornal de Angola teve acesso. O Chefe de Estado lamentou a perda de vidas humanas e o sofrimento causado às famílias angolanas, tendo, em nome próprio e do Executivo, apresentado sentidas condolências aos familiares das vítimas mortais. No mesmo documento, o Presidente da República expressou votos de rápida recuperação aos cidadãos que ficaram feridos no acidente, reiterando a solidariedade do Executivo para com todos os afectados por esta tragédia. O Bureau Político do MPLA também manifesta profunda consternação pelas vítimas do acidente de viação. Aos cidadãos feridos, o órgão de cúpula do partido no poder deseja rápidas e completa melhoras, augurando o seu breve regresso para junto das suas famílias. Assistência garantida no Hospital Julius NyerereUma viagem, que seria para matar saudades, tornou-se num pesadelo e sufoco, para duas jovens irmãs que saiam de Benguela com destino a Luanda para visitar a mãe e aproveitar o período de férias.Trata-se de Rosa e Dulce Barros, de 18 e 15 anos, respectivamente. As jovens vivem em Benguela com o pai, mas a mãe reside em Luanda, daí a razão da viagem. No final do dia de domingo, despediram-se ansiosas da mãe que, transtornada, evitou prestar declarações à equipa de reportagem, mas o tio (irmão do pai), António Barros, revelou que foi acordado com um telefonema por volta das 4h00 da manhã. “O sentimento foi de sufoco e pesadelo. Só mais tarde fiquei aliviado, quando cheguei ao local e constatei que elas estavam melhor do que os outros. Não era tão grave, mas os médicos decidiram transferi-las para Luanda, para obterem os melhores cuidados. Vim com elas de helicóptero”, contou. O jovem revelou que a sobrinha mais velha teve queimaduras nos membros superiores (mãos), enquanto a mais nova nos inferiores (pernas). Apesar do choque, disse,as duas estão conscientes. “O pior já passou. Acredito que a equipa médica do novo hospital está preparada para atender bem as vítimas desta situação”, disse. Os quatro pacientes feridos e transferidos para o Hospital de Queimados Julius Nyerere, em Luanda, na Centralidade do Kilamba, fazem parte de um grupo de 12 sobreviventes do acidente de viação no Cuanza-Sul. Durante a recepção dos feridos, a ministra da Saúde descreveu que o quadro clínico ainda é preocupante e requer uma avaliação mais profunda das lesões. “É um processo que depende de vários factores. Há sempre risco de infecções porque, ao tratar queimaduras, se deve ter em conta a perda da imunidade, que é protegida pela pele. Contudo, temos todas as condições criadas”, garantiu. Sílvia Lutucuta revelou que apenas um dos pacientes está no banco de urgência a necessitar de suporte ventilatório, estando entubado. Os outros três, frisou, estão com queimaduras graves, algumas de terceiro grau. Em relação aos pacientes que ficaram no Cuanza-Sul, disse que estão com queimaduras leves e vão continuar a ser tratados no Hospital 17 de Setembro. A ministra esclareceu que o pronto resgate das vítimas para Luanda contou com os esforços do governador do Cuanza-Sul e as equipas da saúde, que transferiram os pacientes por meios aéreos com o apoio do Ministério da Defesa. “Expressamos o nosso profundo sentimento de pesar pela perda irreparável de 22 cidadãos angolanos neste trágico acidente”, lamentou. Adilson de Carvalho | Gangula e Edivaldo Cristóvão


