O país tem, ainda, cerca de 911 áreas minadas, com maior incidência nas províncias do Bié, Moxico, Moxico-Leste, Cuando, Cubango e Cuanza-Sul. A informação foi avançada, sexta-feira, no Huambo, pelo director-geral da Agência Nacional de Acção Contra Minas (ANAM).
Leonardo Sapalo disse, na cerimónia de encerramento do curso de Sistema de Gestão de Informação Para Acção Contra Minas (IMSMA CORE) e Navegação por GPS, que a situação ainda representa um desafio para o país. “Realizámos acções que correspondem a 89 por cento do serviço feito, o que permitiu limpar sete mil áreas, das oito mil identificadas em Angola”, afirmou. No Huambo, continuou, o processo de desminagem decorre para níveis mais controlados, apesar da descoberta de 11 zonas suspeitas nos municípios do Bailundo e Mungo, que estão a ser intervencionadas. “Com a redução progressiva das áreas contaminadas, o Huambo aproxima-se da lista das províncias com menor número de localidades afectadas por minas”, disse. Com duração de 15 dias, a formação capacitou os participantes em matérias ligadas ao manuseamento de tecnologia global, configuração do dispositivo GPS, padrões de precisão, relocalização de áreas perigosas e bússola, assim como a visualização e controlo de qualidade especial. No encerramento da formação, o director-geral da ANAM sublinhou que a iniciativa teve como objectivo reforçar as competências dos técnicos de desminagem, dotando-os de conhecimentos que lhes permitam, no terreno, recolher dados, proceder à sua análise e tomar decisões técnicas e operacionais com base em informações concretas. “Este curso vai melhorar o desempenho do sector, que tem registado equilíbrio graças aos investimentos feitos pelo Executivo, proporcionando maior operatividade às nossas equipas”, afirmou.Leonardo Severino Sapalo explicou ainda que participaram na formação efectivos das brigadas de desminagem das Forças Armadas Angolanas, do Centro Nacional de Desminagem e das equipas de controlo de qualidade. Segundo o responsável, o domínio das ferramentas de GPS permitirá aos técnicos identificar com mais precisão os contornos das áreas minadas, elaborar mapas e croquis e integrar os dados recolhidos no terreno na base de dados nacional. Por sua vez, o director do Gabinete Provincial de Infra-estruturas e Serviços Técnicos do Huambo, José Adolfo, considerou a formação uma acção inovadora, que vai trazer benefícios significativos para o processo de geolocalização. “Estamos a falar de um curso de Georreferência que caracteriza a modernização actual. Temos tido um trabalho árduo em estradas e esperamos que os técnicos, com o conhecimento adquirido, possam ajudar o país a estar livre de minas”, disse. O formando Edson Figueiredo, do Centro Nacional de Desminagem de Luanda, disse que os conhecimentos adquiridos nos 15 dias de formação permitirão aumentar a precisão dos trabalhos. “Antes tínhamos relatórios manuais e dificuldades com as coordenadas em áreas de difícil acesso. Agora, com este sistema, seremos mais rigorosos e faremos tudo online”, afirmou. Sara Serrano, formanda proveniente da província de Benguela, apelou à população para redobrar os cuidados perante objectos estranhos encontrados no solo.




