Os agricultores defendem a disponibilização de máquinas de terraplanagem e a instalação de pequenas unidades de transformação e conservação de produtos agrícolas nos municípios, para facilitar o escoamento da produção, reduzir perdas no campo e aumentar o aproveitamento dos alimentos produzidos em Angola.
Mito da Silva, um dos responsáveis ligados à Cintura Verde de Luanda, considera que o reforço dos meios de produção para a nova campanha agrícola, com início previsto para o próximo dia 24, deve ser acompanhado de investimentos em infra-estruturas de apoio à actividade agrícola.
O responsável propõe que cada município disponha de duas ou três máquinas de terraplanagem, para melhorar as vias de acesso às zonas de cultivo e facilitar o transporte dos produtos para os mercados. Segundo explicou, as dificuldades de circulação, sobretudo em áreas de acesso difícil, continuam a comprometer o escoamento da produção.
Mito da Silva defende igualmente a instalação de pequenas unidades de processamento e conservação de alimentos nas zonas de produção, com destaque para o tomate e outros produtos perecíveis, que muitas vezes se estragam por falta de condições adequadas de armazenamento e de canais de comercialização.
Na sua avaliação, aumentar a produção agrícola não é suficiente se os produtores não dispuserem de meios para conservar os alimentos e transportá-los até aos consumidores. Por isso, considera necessário articular o apoio aos camponeses com investimentos em equipamentos de transformação e na reabilitação das estradas rurais.
Entretanto, a nova campanha agrícola deverá arrancar com maior disponibilidade de fertilizantes, sementes, enxadas, catanas e motobombas. De acordo com Mito da Silva, a distribuição destes meios a nível nacional dará prioridade aos agricultores familiares, seguindo-se as cooperativas e associações de produtores.
O responsável destaca o aumento da disponibilidade de fertilizantes e de outros instrumentos de trabalho, mas sublinha que o desafio passa também por garantir condições para transformar a produção em rendimento para os agricultores e em oferta regular de alimentos nos mercados.
Mito da Silva aponta ainda os progressos registados na produção nacional de cebola, referindo que o produto angolano já chega à República Democrática do Congo. Para consolidar os ganhos e reduzir o desperdício, defende a criação de condições que permitam aos produtores conservar, processar e escoar os alimentos com maior eficiência.




