Duzentas e 59 mulheres foram diagnosticadas com cancro da mama, no Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC), durante o primeiro semestre deste ano, informou, sábado, em Luanda, o secretário de Estado para a Área Hospitalar.
Leonardo Inocêncio, que falava durante o seminário realizado pela Soluções Médicas Inteligentes (SMI), em alusão ao Outubro Rosa, explicou que o número representa quase metade de todos os casos registados em 2024.
De acordo com os dados internacionais da plataforma GLOBOCAN, o governante informou que o país registou, no ano passado, 4.614 novos casos e 2.139 mortes por cancro da mama, com previsão de aumento de mais de mil até 2030.
“Por detrás de cada número, há uma mãe, uma filha, uma profissional. O cancro da mama já não é uma sentença de morte se for detectado a tempo”, reforçou.
O secretário de Estado destacou, ainda, a ampliação da rede oncológica nas províncias do Huambo, Malanje e Huíla, bem como a requalificação do Instituto Angolano de Controlo de Câncer.
“O Executivo está a investir no sector da Saúde. Temos duas grandes unidades de referência para o tratamento da doença, nomeadamente o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha ‘Pedalé’ e o Centro Oncológico Pediátrico do Heróis de Kifangondo”, disse, apelando à necessidade da realização do auto-exame diário e atenção a sinais como nódulos, pele em casca de laranja, secreções anormais ou caroços na axila.
Diagnósticos diários
A médica oncologista Albertina Manassa disse que cinco a seis mulheres são diagnosticadas, todos os dias, com cancro da mama no Instituto Angolano de Controlo de Câncer.
A especialista referiu que o cancro da mama continua a ser a patologia mais frequente entre as mulheres angolanas, com o agravante de que a maioria das pacientes chega às unidades sanitárias já em estado avançado da doença.
Aparelho para detecção precoce da doença
Um aparelho inovador baseado em Inteligência Artificial (IA) para apoiar a detecção precoce do cancro da mama em Angola foi apresentado ontem em Luanda. O anúncio e a demonstração da nova tecnologia foram feitos pelo director-geral da SMI, Augusto Delgado, que destacou o impacto do equipamento no diagnóstico preventivo.
Augusto Delgado explicou que o dispositivo consiste numa câmara térmica portátil que utiliza algoritmos avançados para analisar as imagens corporais. O equipamento é capaz de emitir um relatório de diagnóstico detalhado em apenas cinco minutos.
“O grande diferencial do aparelho é a portabilidade e o conforto para a mulher. Podemos levá-lo a qualquer lugar onde a mulher estiver, comunidades, centros e hospitais municipais”, frisou.
A máquina, esclareceu Augusto Delgado, pode ser usada, também, em homens, embora o foco inicial seja o público feminino, dos 25 aos 50 anos, em que se regista maior falta de rastreio e medidas preventivas.




