Aos 28 anos, o engenheiro angolano Amilton Koxi construiu uma trajectória académica marcada pela formação, resiliência e dedicação à investigação científica. Natural de Luanda, Amilton concluiu dois mestrados: um em Segurança de Sistemas de Telecomunicações, na Universidade de São Petersburgo, Rússia, e outro em Ciências da Computação, na Universidade de Debrecen, na Hungria.
Investigador científico, tem centrado o seu trabalho na análise de dados e na detecção de anomalias em redes de sensores sem fios para aplicações de Internet das Coisas (IoT), com particular interesse em soluções que possam contribuir para o desenvolvimento tecnológico de Angola.
A sua paixão pela tecnologia começou ainda no ensino médio, quando frequentava o Complexo Escolar de Simão Nioka. O desempenho académico e a curiosidade demonstrada na área das ciências levaram os seus professores a incentivá-lo a procurar oportunidades de formação no exterior.
Em 2016, através de um amigo, tomou conhecimento sobre a Olimpíada de Matemática promovida pela Embaixada da Rússia em Luanda. Participou na competição, destacou-se entre os melhores classificados e, como resultado, conquistou uma oportunidade de bolsa de estudo para prosseguir a sua formação na Rússia.
Desde cedo, Amilton desenvolveu uma forte curiosidade sobre o funcionamento das tecnologias. Queria compreender, por exemplo, como era possível transmitir sinais de rádio e televisão, estabelecer comunicações móveis e desenvolver sistemas de comunicação sem fios.
Essa curiosidade acabou por influenciar a escolha da sua área de formação e, posteriormente, a sua dedicação à investigação científica.
Da Rússia à Hungria
Depois da formação na Rússia, Amilton prosseguiu o seu percurso académico na Hungria, onde concluiu o segundo mestrado, desta vez em Ciências da Computação, na Universidade de Debrecen.
Durante este período, desenvolveu investigação financiada pelo programa TalentUD, dedicada à detecção distribuída de anomalias em redes de sensores sem fios, no contexto da Computação de Alto Desempenho (HPC) e da Internet das Coisas (IoT).
O trabalho científico valeu-lhe o 2.º lugar na Conferência TDK de Investigação Científica da Universidade de Debrecen, na área de Informática, e a nomeação para representar a instituição na competição nacional OTDK.Para Amilton, esta conquista teve um impacto significativo, tanto na sua carreira académica como no seu crescimento pessoal.
“Teve um papel muito importante para mim, especialmente na minha participação na Conferência Científica da Universidade de Debrecen, especificamente na Faculdade de Informática, onde apresentei o meu trabalho científico”, explicou.
Na investigação, demonstrou que era possível detectar anomalias em redes de sensores sem fios recorrendo a algoritmos leves, em alternativa a abordagens mais pesadas baseadas em técnicas de Machine Learning.
“Penso que o principal efeito desta conquista foi o reconhecimento do meu trabalho. Isso me motivou ainda mais a continuar com o meu trabalho científico”, afirmou.
SentinelNet: Inteligência Artificial aplicada à segurança
Entre os projectos em que participou, está também o SentinelNet, uma plataforma autónoma baseada em Edge AI, drones, redes de sensores e tecnologias IoT, concebida para apoiar a resposta a riscos CBRNE — químicos, biológicos, radiológicos, nucleares e explosivos.
O projecto foi desenvolvido no âmbito do consórcio GROUNDUP, com financiamento da União Europeia, e apresentado num hackathon no qual Amilton participou juntamente com uma equipa de estudantes da Universidade de Debrecen.




