Um cidadão angolano, de 44 anos, identificado apenas como Maurício, morreu no interior de uma esquadra da polícia em Saint-Ouen, nos arredores de Paris, França, onde se encontrava detido por alegado desacato às autoridades.
Residente em França desde a infância, o homem foi detido na segunda-feira, 27, por alegadamente se encontrar em estado de embriaguez, ter proferido insultos de natureza sexista e ameaçado pessoas no exercício de funções de autoridade, segundo informações das autoridades francesas.
A família da vítima, representada pelo advogado Yassine Bouzrou, suspeita de violência policial durante a detenção e também no interior da esquadra. O advogado afirma que Maurício não sofria de qualquer doença conhecida que pudesse justificar uma morte súbita.
Na sequência do caso, a família apresentou uma queixa por alegadas agressões voluntárias cometidas por pessoa depositária de autoridade, que terão provocado a morte da vítima. O crime, nos termos invocados pela acusação, pode ser punido com uma pena de até 20 anos de prisão.
Entretanto, a Inspecção-Geral da Polícia Nacional francesa (IGPN) abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da ocorrência, enquanto o Tribunal de Bobigny investiga as causas da morte.
De acordo com informações citadas pelo jornal francês Le Parisien, Maurício foi examinado por um médico na noite de segunda para terça-feira. Na manhã de terça-feira, foi ouvido pela polícia e, por volta das 15 horas, acabou por ser encontrado inconsciente na cela.
Num comunicado, o Ministério Público informou que a autópsia não identificou lesões traumáticas no corpo, mas adiantou que as investigações vão prosseguir para determinar as causas da morte.
O advogado da família criticou ainda a falta de informações adicionais por parte das autoridades judiciais, considerando preocupante o silêncio em torno do caso.
Maurício vivia em França desde criança e trabalhava como pintor. O Correio da Kianda continuará a acompanhar o caso, incluindo eventuais esclarecimentos das autoridades diplomáticas angolanas e francesas.




