Aumento da esperança média de vida e da escolaridade vale subida no IDH

Interior da sala de aula da escola pertecente ao projecto Casa de Caminho André Luiz, onde se lecciona gratuitamente mais de dois mil alunos.
Angola subiu da posição 150 para 148 (entre mais de 190 países) no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o relatório de 2025 produzido pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A ligeira evolução, que mantém Angola como "país de desenvolvimento médio", baseia-se principalmente nas melhorias registadas na esperança média de vida e nos anos de escolaridade.
Se o período sem conflitos armados, desde 2002, tem algum efeito na evolução das capacidades dos angolanos, os dados compilados pelo PNUD também permitem identificar algumas tendências que recuam a 2000. Por exemplo, a esperança média de vida aumentou 18,8 anos entre aquela altura e 2024 (período a que se refere o estudo). Actualmente, a esperança média de vida em Angola está fixada nos 64,6 anos, mas era 61,9 em 2023 e 46,0 em 2000 (ver tabela).
Em relação aos anos de escolaridade, a média é ainda baixa e continua abaixo da escolaridade obrigatória e gratuita (9 anos), o que é demonstrativo das dificuldades e desafios que o sector enfrenta. Entre 2023 e 2024 os anos de escolaridade aumentaram apenas 0,2%, uma evolução pequena e que ainda está longe das necessidades do País.
Neste sector, entre 2006 e 2024, a média de escolaridade saltou de 3,4 anos para os 6,0. Também a desigualdade de rendimentos aumentou, segundo divulgou o PNUD durante a apresentação do relatório em Angola, um evento que aconteceu na quarta-feira, 21, em Luanda - os 10% mais ricos do País têm acesso a 40% do rendimento nacional, enquanto 40% dos mais pobres só recebe 11,5%.
Uma desigualdade gritante e que é visível todos os dias, especialmente no meio rural. Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Guiné-Equatorial (133.º), Cabo Verde (135.º) e São Tomé e Príncipe (141.º) estão na lista de países que registaram um desenvolvimento humano "médio". Guiné-Bissau (174.º) e Moçambique (182.º) são PALOP que ainda estão incluídos na categoria de desenvolvimento humano baixo.
A lista é encerrada pelo Sudão do Sul na ú ma posição (193.º). Os melhores classificados são a Islândia (1.º), Noruega, Suíça, Dinamarca e Suécia. O top-10 é fechado pela Alemanha, Austrália, Hong-Kong, Holanda e Bélgica. No grupo de países que fazem parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Portugal é o único na categoria de desenvolvimento humano "muito elevado" e o Brasil é o único em "elevado". No geral, o relatório de 2024 associa os efeitos da Inteligência Artificial (IA) à es bretudo, a um potencial por aproveitar ao nível das tecnologias. Segundo o PNUD, em Angola o potencial de serviços e novas soluções associadas à IA está centrado na saúde, agricultura e educação. Mas para aproveitar totalmente as vantagens da IA é preciso internet, educação, literacia digital.
Em África, 73% da população não tem acesso à internet e 48% continua sem acesso a cuidados de saúde. 30% das crianças continuam longe das principais infraestruturas escolares e percorrem diariamente cerca de 20 Km diários para frequentar uma instituição de ensino.



