Um dos novos centros populacionais de destaque da província do Bengo, nos últimos anos, tem sido o município do Panguila, devido ao crescimento contínuo resultado do surgimento de várias indústrias e empreendimentos económicos, como a Fazenda Filomena, Fábricas de Calçados e Montagens de Electrodomésticos.
Por ser uma das principais portas de entrada do Bengo e pela localização estratégica na ligação com Luanda, a região transformou-se numa zona de forte dinâmica populacional, habitacional, agrícola e comercial, que tem, na agricultura e pesca, as principais fontes de alimento e renda das famílias.
A proximidade com a capital do país contribuiu para a chegada de famílias provenientes de diferentes pontos de Angola e para o crescimento acelerado da localidade. É, também, nesta faixa de ligação entre Luanda e Bengo, que a actividade agrícola mantém uma presença importante, razão pela qual o Panguila é associado à produção de alimentos que abastecem os mercados da região.
A população,estimada em 158.068 habitantes, concentra-se em áreas urbanas, embora haja, ainda, muitas comunidades significativas em zonas periféricas e rurais. Actualmente, a administração local tem implementado políticas sociais e de saúde, como a capacitação de parteiras tradicionais e programas voltados à juventude, a fim de atender às necessidades de uma população crescente.
As vivências, histórias e perspectivas das populações da localidade foi tema de análise do ciclo de reportagens “Bengo Por Dentro”, uma iniciativa dos órgãos de Comunicação Social Públicos, nomeadamente Edições Novembro E.P, Televisão Pública de Angola (TPA), Rádio Nacional de Angola (RNA) e a Agência Angola Press (Angop), com o objectivo de radiografar a realidade dos 12 municípios da província do Bengo.
Primeiras habitações
A chegada de famílias provenientes de diferentes pontos do país e a importância da pesca na antiga lagoa fazem parte das memórias preservadas pelos anciãos do município do Panguila, no Bengo, uma história marcada por profundas transformações sociais e económicas.
Afonso Sardinha, de 68 anos, recorda os primeiros tempos do Panguila, quando o projecto habitacional ainda se encontrava em construção. Natural do Cuanza-Norte chegou à região na condição de militar e começou por viver numa cubata.
“Quando cheguei aqui, ainda não havia muitas casas, ou lojas. Estava tudo em obra”, recorda o ancião, que, posteriormente, recebeu uma chave para ocupar uma das casas do projecto.
O ancião explicou, ainda, que a área em que funciona a Administração Municipal do Panguila e outras instituições fazia parte da estrutura inicial do local, criada para cerca de mil habitações.
Com o crescimento da procura, motivado, entre outros factores, pela pressão habitacional em Luanda e a necessidade de retirar famílias de zonas consideradas de risco, o programa foi ampliado.“Hoje, o Panguila é outra coisa”, reconheceu Afonso Sardinha, que comparou a antiga paisagem residencial com a actual dimensão do município.
A antiga lagoa
A história do Panguila também se cruza com a antiga lagoa, cuja memória permanece viva entre os mais velhos. Alfredo Leitão Ribeiro, de 91 anos, natural de Caxito, e a esposa, Catarina da Silva Gomes, de 81 anos, recordam uma época em que a lagoa constituía importante fonte de peixe para as populações.
Segundo o casal, a actividade pesqueira ganhou expressão a partir da década de 1950, com o pescado destinado ao consumo e à comercialização em Caxito e Luanda.“Naquela altura, a lagoa era muito direccionada para a pesca”, recordou Alfredo Ribeiro, acrescentando que existiam mecanismos de limpeza e escoamento da água através de valas ligadas ao rio.
O ancião lembrou, igualmente, das deslocações de barco entre Caxito e outras localidades. “Depois da pesca, o pescado era preparado e transportado para os pontos de comercialização. Porém, com o passar dos anos, o ofício foi diminuindo, acompanhada pelo desaparecimento de algumas práticas tradicionais associadas à pesca e à relação das comunidades com a lagoa”, criticou.
Projectos em carteira
Na Feira dos Municípios e Cidades no Namibe, o Panguila arrebatou 126 milhões de Kwanzas e sete distinções, incluindo os quatro primeiros lugares e os dois segundos nas categorias a que concorreu, em particular o título de segundo melhor município da classe B.
Após o feito conquistado, o administrador municipal, Domingos Lourenço,disse que estão a preparar uma nova etapa de intervenção na circunscrição.




