Bloco Democrático pressiona João Lourenço por resposta à crise energética global

O Bloco Democrático (BD) manifestou preocupação com a ausência de uma resposta clara do Executivo face à crise energética internacional desencadeada pelo conflito no Médio Oriente, iniciado a 28 de Fevereiro de 2026. Em carta aberta dirigida ao Presidente da República, João Lourenço, o partido alerta para os potenciais impactos económicos e sociais sobre Angola.
Segundo um documento enviado à redacção do Expansão, o BD, "a interrupção dos fluxos no Estreito de Ormuz constitui a maior disrupção de oferta na história do mercado petrolífero", com efeitos diretos nos preços dos combustíveis refinados, fertilizantes e produtos petroquímicos, bens dos quais Angola continua fortemente dependente através da importação.
Apesar da subida do preço do barril de Brent para níveis próximos dos 100 USD poder indicar um reforço das receitas fiscais, o partido sublinha que "a realidade para as famílias angolanas é alarmante", alertando para o aumento do custo de vida e a pressão inflacionista.
O BD destaca ainda que entidades como a Agência Internacional de Energia e vários países já activaram mecanismos de emergência, enquanto, no caso angolano, "não se vislumbra uma estratégia pública para mitigar o choque inflacionário que se avizinha".
Assim, no documento, o partido propõe a criação de um Fundo de Estabilização de Preços, defendendo "a utilização do excedente da receita petrolífera para subsidiar diretamente o custo do gasóleo e do GPL", com o objetivo de proteger as famílias e a produção nacional.
Entre as medidas sugeridas consta também a implementação de um plano de eficiência na Administração Pública, incluindo "a adoção do teletrabalho (três dias por semana) em funções compatíveis e a redução drástica de viagens oficiais", como forma de conter o consumo de combustível.
Por fim, o BD defende maior transparência por parte do Executivo, apelando à divulgação do nível das reservas estratégicas: "informar a Nação sobre o estado real das nossas reservas estratégicas de combustíveis para evitar roturas de stock no mercado interno".
O partido conclui que a atual conjuntura exige uma resposta urgente, sublinhando que "a segurança energética é segurança nacional" e que não se pode permitir que a crise se traduza "num novo fardo insuportável sobre o prato de comida dos angolanos".
O partido conclui que a atual conjuntura exige uma resposta urgente, sublinhando que a segurança energética deve ser tratada como uma questão de segurança nacional, face ao risco de agravamento das condições de vida da população.


