Cortes de água em Benguela antes da hora prevista para greve - Administração da EPASB aponta ilegalidade, mas trabalhadores cruzam os braços

Inúmeras zonas das cinco cidades do litoral da província de Benguela acordaram sem água, bem antes da hora 08, prevista para o início da greve na Empresa Provincial de Águas e Saneamento (EPASB), tida pelos trabalhadores como resposta à falta de diálogo para aumentos salariais, implementação do qualificador ocupacional e melhores condições laborais.
Existem famílias privadas do precioso líquido por outras razões, como as limitações técnicas e operacionais, mas é a paralisação dos funcionários, por tempo indeterminado, a agitar os munícipes.
"Ontem mesmo, assim que nos falaram da greve, fizemos alguma reserva. Foi assim em todos os bairros", disse ao NJ, duas horas após os cortes, o munícipe João Epalanga, 65 anos de idade.
Dezenas de trabalhadores à porta da sede da EPASB, ao lado de cartazes que anunciam a greve, constituem o principal indicador da efectivação da medida anunciada há cinco dias.
Horas antes, na tarde de segunda-feira, o Conselho de Administração tinha afirmado que "a greve é ilegal, uma vez que atropela o princípio da causalidade, não havendo reivindicações actuais".
Foi a reacção ao último pronunciamento dos sindicalistas Homero Magalhães e Hegas Jololo, que reafirmaram haver condições para aumentos salariais.
Numa intervenção em que exigiram a demissão do Conselho de Administração, denunciaram o que consideram ser "sucessivos casos de escândalos financeiros", realçando que existem gestores com negócios na Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela.
Estas afirmações levaram o director administrativo e dos Recursos Humanos, Paulo Mota Lemos, a desafiar o Sindicato a apresentar denúncias em "canais próprios".
Já o director interino do Gabinete Jurídico, Róger Diniz, manifesta surpresa e ressalta que o Conselho de Administração deu resposta satisfatória a dez dos treze pontos do caderno reivindicativo, com destaque para melhorias salariais e condições de trabalho dos operadores.
"Uma greve exigiria assembleia de trabalhadores, um recomeço, porque o caderno reivindicativo está praticamente solucionado. O que falta [qualificador ocupacional], contando que a aquisição de ambulância foi descartada, está a ser visto, até dia 15", salientou o jurista.
Com a greve em marcha, a decorrer das 8 às 16 horas, a área técnica promete aproveitar os turnos para minimizar os efeitos da falta de água nas cidades de Benguela, Lobito, Catumbela, Baía Farta e Navegantes.


