Defendida maior protecção para floresta do Cumbira

A conservação da floresta do Cumbira, localizada no município da Conda, no Cuanza-Sul, levou um grupo de especialista a criar uma proposta especial para salvaguarda da flora e da fauna da área, que tem sido muito afectada pelo desmatamento e a exploração ilegal de madeira e de inertes, disse, ontem, o director-geral do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC).
Miguel Xavier considerou o desmatamento, as queimadas anárquicas, a degradação das vias de acesso, que dificultam o acesso à floresta, e a exploração de café na região, os principais desafios para a conservação da área. “São actividades que têm destruído, na maioria das vezes, habitats de nidificação e de repouso para as aves endémicas (nativas) e migradoras”, recordou.
A criação de uma área de conservação, adiantou, vai permitir preservar a riqueza dos ecossistemas únicos da floresta do Cumbira, que abriga várias espécies endémicas. “A acção é essencial para manter o equilíbrio ambiental da floresta. Por isso, o envolvimento de todos é crucial”, vincou.
Protecção
Para o secretário de Estado para o Ambiente, Iury Santos, a proposta de criação de uma nova área de conservação para a Floresta do Cumbira mostra a preocupação do INBAC com o uso sustentável dos recursos naturais e com a protecção de espécies endémicas e ameaçadas.
“A Floresta do Cumbira é um exemplo claro de como a conservação local pode ter um impacto nacional e global. Ao propormos a criação de uma nova área de conservação, estamos a sinalizar que precisamos de orientações para o uso sustentável dos recursos naturais”, disse.
O INBAC, referiu, tem estado a trabalhar no fortalecimento das áreas protegidas, no desenvolvimento dos ecossistemas e na reintrodução de espécies. “Somos um dos países africanos mais ricos em biodiversidade, por termos cerca de cinco mil espécies de plantas, das quais aproximadamente 1.200 são endémicas, ou seja, são exclusivas do país”, destacou.
Ecossistemas
O vice-governador do Cuanza-Sul para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Heitor Alfredo, disse que o Governo local tudo está a fazer para a recuperação dos ecossistemas degradados, por ser um pilar importante no combate à crise climática e à insegurança alimentar. “Hoje, a protecção da biodiversidade angolana representa o caminho para o alcance de um desenvolvimento sustentável e harmonioso”, disse.
O Governo do Cuanza-Sul, frisou, pretende apresentar uma proposta para elevação da Floresta da Cumbira à categoria de reserva natural parcial, por ter espécies endémicas (nativas) peculiares. Está ainda em curso, anunciou, um programa para delimitação do habitat dos hipopótamos, nas margens do rio Keve, nos municípios do Ebo, Conda, Waco Kungo e Cassongue. “A ideia é evitar o conflito entre o homem e os animais”.
Heitor Alfredo sublinhou que apesar dos avanços visíveis da valorização da biodiversidade ao nível da província, ainda se assiste acções nocivas e prejudiciais ao meio ambiente, como a caça furtiva, as queimadas anárquicas e o abate indiscriminado de árvores, que constituem grandes desafios para o sector do Ambiente.
A Floresta
A Floresta da Cumbira, situada na província do Cuanza-Sul, destaca-se por ser a “casa” de uma variedade de espécies de aves endémicas, como por exemplo o Bico-Longo-de-Angola. Conhecida mundialmente e a atrair turistas de todo mundo, a floresta contém várias espécies animais e plantas endémicas a esta região.



