A insuficiência de médicos, em particular de especialistas em várias unidades sanitárias das províncias do Cuando, Cubango e Namibe, esteve entre as principais preocupações apresentadas na primeira reunião ordinária do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos de Angola, realizada ontem na cidade do Lubango, na Huíla.
O presidente do Conselho Regional Sul, António Pascoal, disse que o encontro permitiu reforçar a cooperação entre os médicos, definir prioridades e encontrar soluções para os principais desafios que afectam o exercício da profissão e a qualidade da assistência médica e medicamentosa às populações.
Segundo o responsável, a reunião destacou ainda a necessidade de reforçar a formação e a valorização profissional dos médicos, promover maior interacção entre os profissionais em formação e estimular o surgimento de lideranças nas diferentes especialidades médicas da região.
António Pascoal explicou que o Conselho Regional Sul acompanha actualmente mais de 200 médicos internos em processos de formação nas diversas especialidades, considerando este efectivo um importante activo para o futuro da assistência sanitária a nível da região.
Cuando e Cubango
As províncias do Cuando e Cubango apresentam um cenário de insuficiência de profissionais de saúde, agravado pela nova Divisão Político-Administrativa (DPA), afirmou o presidente do Conselho da Ordem dos Médicos nas duas localidades.
Minésio Dala informou que as duas províncias contam apenas com cerca de 109 médicos, incluindo profissionais aposentados e alguns que se encontram doentes, sendo aproximadamente 85 médicos angolanos em actividade.
Segundo o médico, os profissionais de saúde estão distribuídos por 21 municípios, mas nem todos dispõem de médicos, situação que dificulta o acompanhamento regular das populações, sobretudo nas localidades mais distantes das sedes provinciais.
Minésio Dala defende que cada município deveria contar, pelo menos, com dois médicos, número que permitiria assegurar uma assistência condigna e melhorar a resposta às necessidades das comunidades.
A carência de médicos é ainda mais acentuada quan- do se trata de especialistas, disse, acrescentando que o Cuando e Cubango não dispõemactualmente de profissionais em áreas como Otorrinolaringologia, Neurocirurgia, Oftalmologia e Radiologia, obrigando os doentes que necessitam destes serviços a serem encaminhados para províncias vizinhas.
Entre as especialidades existentes, figuram Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cardiologia, Cirurgia, Ortopedia e Ginecologia e Obstetrícia, concentradas sobretudo nos principais centros urbanos.




