Os enfermeiros do Bengo iniciam esta segunda-feira, 14, uma greve de dois dias, com o Sindicato dos Enfermeiros de Angola no Bengo (SINDEA) a alertar que os serviços mínimos serão assegurados com poucos profissionais, devido à falta de pessoal nas unidades sanitárias da província.
A confirmação foi feita pelo responsável sindical Paulo Chindumbo, que acusa o Governo Provincial do Bengo de não ter apresentado respostas concretas às principais reivindicações da classe, apesar das negociações realizadas entre as partes.
Segundo o sindicalista, a escassez de profissionais já afecta o funcionamento normal das unidades sanitárias e poderá tornar-se mais evidente durante a paralisação.
“Nós, nesse momento, nos serviços, encontramos apenas dois profissionais a um profissional. E quem está aí a cuidar dos doentes são os voluntários”, afirmou Paulo Chindumbo.
O responsável considera urgente a realização de concursos internos para reforçar os quadros da saúde e defende que os voluntários não devem ser usados como solução para garantir os serviços durante a greve.
Paulo Chindumbo rejeita a posição do Governo Provincial do Bengo, que afirma ter atendido 13 dos 15 pontos apresentados pelo sindicato, correspondentes a cerca de 90% das reivindicações.
Para o sindicalista, os profissionais não tiveram ganhos concretos nas negociações e continuam sem respostas satisfatórias para vários problemas apresentados pela classe.
Entre as reivindicações estão a atribuição de terrenos aos profissionais da saúde, o pagamento integral dos subsídios da Covid-19, a disponibilização de meios de transporte e a melhoria das condições de trabalho nas unidades sanitárias.
O sindicato responsabiliza o Governo Provincial e o Gabinete Provincial da Saúde por eventuais dificuldades no funcionamento dos serviços durante a greve, defendendo que a actual falta de pessoal não resulta da paralisação, mas de um problema que já existe nas unidades sanitárias.
O Governo do Bengo considera, no entanto, que a greve é ilegítima e afirma que os pontos ainda pendentes continuam a ser tratados dentro dos mecanismos legais, administrativos e financeiros disponíveis.
Apesar da posição das autoridades, o SINDEA mantém a paralisação e diz estar preparado para eventuais descontos salariais dos profissionais que aderirem à greve.
“É normal que se faça desconto, estamos preparados para descontos, estamos preparados para outras situações, mas que a greve vai sair, vai sair”, afirmou Paulo Chindumbo.
A paralisação começa esta segunda-feira e terá, nesta primeira fase, a duração de dois dias. Caso não sejam apresentadas respostas às reivindicações, os enfermeiros admitem retomar a greve por períodos mais prolongados.



