Benguela – A directora do Complexo Escolar do Ensino Especial de Benguela, Febe Kulenga, defendeu, este sábado, o reforço de intérpretes de Língua Gestual nas escolas e serviços públicos, para melhorar a inclusão e garantir os direitos das pessoas com deficiência auditiva.
Benguela – A directora do Complexo Escolar do Ensino Especial de Benguela, Febe Kulenga, defendeu, este sábado, o reforço de intérpretes de Língua Gestual nas escolas e serviços públicos, para melhorar a inclusão e garantir os direitos das pessoas com deficiência auditiva.
Em declarações à ANGOP, a responsável informou que a instituição acompanha actualmente 187 crianças com deficiência auditiva e conta apenas com dois professores para apoiar o processo de ensino e aprendizagem.
Explicou que a escrita é trabalhada de forma convencional, enquanto para leitura e comunicação recorrem à Língua Gestual, configuração das mãos, mímica e pantomina, com recurso a materiais visuais.
Segundo a responsável, as maiores dificuldades surgem quando os alunos transitam para escolas do segundo ciclo, onde nem sempre existem intérpretes preparados para acompanhar o processo de ensino.
Para facilitar a integração, a Direcção do Ensino Especial tem promovido acções de formação e capacitação de professores de diferentes escolas da província.
Febe Kulenga considerou fundamental a presença de intérpretes nas turmas inclusivas, onde estudam alunos com e sem deficiência auditiva.
Apontou ainda como dificuldade o facto de a profissão de intérprete de Língua Gestual não estar plenamente reconhecida no sistema de ensino, levando, em muitos casos, as famílias a suportarem os custos da contratação destes profissionais.
“Esta questão já foi apresentada às entidades competentes, incluindo ao Gabinete Provincial da Educação e ao Instituto Nacional de Educação Especial, tendo igualmente chegado à Assembleia Nacional através da Associação Nacional de Surdos de Angola (ANSA) e existem já sinais positivos quanto ao reconhecimento da profissão, embora o processo avance de forma gradual”, disse.
A directora salientou que as dificuldades de comunicação não se limitam às escolas, abrangendo hospitais, transportes, instituições públicas, tribunais e outros serviços.
“Se o próprio Estado e a própria sociedade não tiverem o domínio da comunicação, também não conseguem comunicar”, alertou.
Por seu lado, o presidente da Associação Comunitária de Apoio e Integração dos Deficientes Auditivos em Benguela, Sérgio Baptista, defendeu o reforço das campanhas de sensibilização e o combate à discriminação contra a comunidade surda.
O responsável apontou a falta de formação específica de alguns professores e o preconceito como obstáculos à inclusão, referindo que a deficiência auditiva não deve ser confundida com incapacidade intelectual.
“Às vezes o professor não está preparado para lidar com as questões do aluno, devido a falta de formação na especialidade e daí surge a tendência espontânea de pensar que o aluno não sabe nada e que possivelmente não seria capaz de nada”, explicou.
A associação conta actualmente com cerca de 2.500 membros registados nos municípios do litoral da província, nomeadamente Lobito, Catumbela, Benguela, Baía Farta e Navegantes.
Sérgio Baptista defendeu ainda maior atenção à formação profissional, empreendedorismo e inclusão laboral das pessoas com deficiência auditiva, bem como o fortalecimento das organizações representativas.
A associação enfrenta também dificuldades de funcionamento, realizando grande parte das actividades administrativas e reuniões nas residências dos seus membros, enquanto aguarda a disponibilização de um espaço prometido pelo Governo Provincial de Benguela.
Quanto aos apoios, reconheceu algumas iniciativas das autoridades, mas disse que os aparelhos auditivos continuam a representar uma necessidade, devido aos custos elevados e à ausência de apoios regulares.
Como parte das actividades de sensibilização, a associação realiza hoje, sábado (3), uma marcha pacífica para assinalar o Dia Internacional do Surdo, celebrado a 26 de Setembro.
A iniciativa visa chamar a atenção para os desafios da comunidade surda e reforçar a necessidade de uma sociedade mais inclusiva e livre de preconceitos. ICA/CRB




