A preservação da memória das vítimas dos conflitos políticos e o compromisso com a não repetição da violência estiveram no centro de um debate realizado esta quarta-feira, 30, em Luanda.
O encontro, promovido pelo académico Osvaldo Mboco, insere-se no processo de reconciliação nacional e reparação das vítimas dos conflitos em Angola.
A iniciativa reuniu académicos, líderes religiosos e membros da sociedade civil para discutir os pilares da reconciliação: diálogo, reconhecimento, responsabilização e respeito pelas vítimas.
Na sua intervenção, o presidente da Fundação 27 de Maio, general Silva Mateus, rejeitou a tese de que existe aproveitamento político por parte do MPLA na condução do processo de reconciliação nacional.
Para sustentar a sua posição, apontou como prova o trabalho realizado no cemitério da Mulemba, conhecido como Cemitério do 14, onde foram encontradas e exumadas ossadas de vítimas dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
“As ossadas encontradas na Mulemba são a prova inequívoca de que o trabalho da CIVICOP não tem fins políticos, visa apenas consolidar a reconciliação nacional e reparar as famílias das vítimas”, afirmou.
O reverendo Vladimir Agostinho, líder do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA), defendeu que Angola só conseguirá escrever uma nova página da sua história se confrontar as verdades do seu passado, valorizando o trabalho desenvolvido pela Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).
Para o líder religioso, o país precisa de realizar um comba nacional, uma cerimónia fúnebre tradicional de homenagem, como forma de conferir conforto espiritual e dignidade às famílias e às vítimas cujos restos mortais permanecem espalhados por locais ainda não identificados.
Na mesma linha, o padre Celestino Epalanga sublinhou que os mortos só encontrarão paz quando a sociedade e as autoridades lhes proporcionarem um enterro condigno, como o que tem sido promovido pela CIVICOP.
Por sua vez, o membro da CIVICOP, Luís Jimbo, assegurou que o trabalho desenvolvido até agora tem transformado a mágoa das famílias em alívio, representando um passo decisivo para a concretização plena da reconciliação nacional.
O encontro constituiu, assim, um espaço de diálogo aberto, que colocou no centro da discussão a memória, a justiça e o compromisso colectivo de garantir que Angola não volte a repetir os erros do passado.




