Que o cancro da mama nos homens suscitava bullying, o senhor Conceição Lourenço já sabia, mas o que ele não esperava era ser discriminado à entrada e dentro do próprio hospital que trata da referida patologia. O homem, de quase 50 anos de idade, teve de aprender a lidar com a doença e com discriminação num silêncio ‘imaculado’ que apela ao respeito e mais humanismo
Depois de muito tempo a apalpar um suposto caroço no mamilo esquerdo, Conceição Lourenço, aconselhado por algumas missionárias da escola católica de um município afastado da sede da província de Benguela, onde lecciona a disciplina de Língua Portuguesa, decidiu meter-se à estrada e seguir para Luanda, mais concretamente para o Centro Nacional de Oncologia.
Durante a viagem, segundo contou ao OPAÍS, imaginava que es- tratégia usaria até estar diante do médico, a quem confiaria a missão de lhe apalpar o mamilo, como fez questão de referir, e prosseguir com os outros protocolos de saúde. ‘‘Nunca pensei que, num dia desses, eu ia dar o meu peito a um varão igual, para me apalpar o caroço de um dos mamilos, mas, ainda assim, era melhor do que ser uma médica, que, depois da consulta, sei lá o que iria contar ao marido e às suas amigas’’, disse Conceição, nome pelo qual pediu para ser tratado nestas linhas, para não manchar um dos nomes do Presidente da República, que, por sinal, coincide com o seu nome de registo




