O Executivo angolano pretende reforçar os mecanismos de protecção e regulação do mercado publicitário nacional perante o crescimento das grandes plataformas digitais internacionais, como Google, Meta e TikTok.
A preocupação foi apresentada esta terça-feira, 29, à TV Zimbo, pelo Director Nacional de Publicidade, José Matuta Cuato, que considera necessário encontrar mecanismos capazes de garantir maior equilíbrio entre as empresas angolanas e as plataformas internacionais que concentram uma parcela crescente dos investimentos publicitários.
Segundo o responsável, o avanço da publicidade digital está a alterar rapidamente o funcionamento do mercado, com parte significativa dos recursos destinados à promoção de marcas a ser canalizada para plataformas sediadas no exterior. O fenómeno representa, na sua perspectiva, um desafio para as empresas nacionais e para a retenção de valor dentro da economia angolana.
José Matuta Cuato defende, por isso, a adopção de medidas que permitam às empresas angolanas continuar a participar de forma competitiva no mercado, tendo em conta a capacidade tecnológica e financeira das grandes plataformas digitais.
O Director Nacional de Publicidade reconhece que a transformação digital cria novas oportunidades para o sector, mas alerta que a concorrência internacional pode colocar pressão sobre os operadores nacionais, sobretudo empresas que dependem directamente das receitas publicitárias para manter postos de trabalho e desenvolver os seus negócios.
A inteligência artificial e a publicidade programática estão entre as principais transformações que, segundo o responsável, obrigam o sector a adaptar-se a novas formas de produção, distribuição e comercialização de conteúdos publicitários.
Para enfrentar estes desafios, José Matuta Cuato considera que a resposta não deve limitar-se à criação de normas. O responsável aponta igualmente para a necessidade de diálogo com os diferentes intervenientes do mercado e de recurso à diplomacia económica para discutir a relação entre Angola e as grandes plataformas digitais.
Experiências de países como Nigéria, Quénia e África do Sul estão entre as referências que podem ser analisadas para identificar mecanismos capazes de conciliar a expansão da economia digital com a defesa dos interesses dos operadores nacionais.
A modernização e a regulação da publicidade no ecossistema digital já integram a agenda do sector das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social. Documentos sectoriais do Executivo incluem especificamente a “Modernização, Regulação e Sustentabilidade da Publicidade no Ecossistema Digital”.
Além da concorrência das plataformas digitais, o sector enfrenta desafios relacionados com a publicidade exterior, que continua a exigir maior organização, fiscalização e profissionalização.
Em Março deste ano, José Matuta Cuato apontou a necessidade de melhorar os mecanismos de medição da publicidade exterior, numa altura em que o mercado publicitário angolano registava crescimento e a publicidade digital ganhava espaço no investimento das marcas.
No segmento da publicidade exterior, a actividade envolve diferentes níveis de licenciamento e fiscalização, enquanto a Direcção Nacional de Publicidade acompanha o cumprimento das regras relativas ao conteúdo das mensagens publicitárias.
O responsável defende ainda maior capacitação dos operadores e uma aplicação mais eficiente das normas, de modo a acompanhar a transformação do mercado.
A preocupação com o espaço digital surge num contexto em que Angola tem vindo a reforçar o debate sobre governação da Internet, protecção de dados, inteligência artificial e utilização responsável das tecnologias digitais.
Para o sector publicitário, o desafio passa agora por encontrar um equilíbrio entre a abertura à inovação e à concorrência internacional e a criação de condições para que as empresas angolanas possam continuar a gerar emprego, receitas e valor dentro do país.




