A irregularidade no abastecimento de água é a principal preocupação dos habitantes do município de Cacula, na província da Huíla, onde a escassez do recurso afecta o consumo doméstico, a irrigação dos campos agrícolas e o abeberamento dos animais.
Há cerca de um mês que o fornecimento de água nas torneiras das residências da vila-sede se tornou irregular. Pascolina Mphingingo, moradora da localidade há dez anos, contou que as falhas começaram em Setembro e que, desde então, a água passou a chegar às habitações apenas uma vez por semana.
“Temos água, mas durante estes dias disseram que parece que estragou algo, desde o mês passado”, relatou a moradora, referindo-se às possíveis causas da interrupção do abastecimento regular no bairro onde reside.
Além das dificuldades no acesso à água, os habitantes apontam outros problemas que condicionam o quotidiano da população. Paulo Kaluquembe, mototaxista no município, destacou a falta de asfaltamento das principais vias dos bairros, situação que, segundo disse, favorece a formação de lamaçais durante a época chuvosa.
O administrador municipal de Cacula, José Mariano Santos, reconheceu que o abastecimento de água constitui um dos principais desafios da circunscrição e admitiu a necessidade de expandir a rede de distribuição para melhorar o acesso das comunidades ao recurso.
“Nós temos um problema, que é a água. Precisamos de alargar as redes de abastecimento da água”, afirmou, acrescentando que a administração municipal prevê abrir mais furos para reforçar o pequeno sistema de abastecimento existente.
A escassez de água também afecta a agricultura e a pecuária, duas das principais actividades económicas da população local, que depende das chuvas para assegurar a produção de alimentos e a disponibilidade de pastagens e água para os animais.
Segundo José Mariano Santos, a irregularidade das precipitações agrava as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e criadores de gado, comprometendo as condições necessárias para a manutenção das suas actividades.
“Enquanto não houver precipitações regulares, não houver chuvas regulares, já é um problema, quer para o processo de produção, como também para os seus próprios animais”, afirmou o administrador, numa entrevista concedida esta segunda-feira.
A expansão das infra-estruturas de abastecimento de água e a regularização do fornecimento surgem, assim, entre os desafios de Cacula, num contexto em que as necessidades de consumo doméstico se juntam às exigências da produção agrícola e da criação de animais.




