Famílias instadas a consumir sal iodizado para eliminar exposição à doença da tiróide

A tiróide, conhecida como inflamação bócio hipofuncional por falta de iodo, que provoca o crescimento acelerado da glândula, levou dois a três casos ao bloco operatório, sendo 30 a 40 casos atendidos de Janeiro do ano passado até a presente data, no Hospital Josina Machel, em Luanda.
Essa informação foi avançada ao Jornal de Angola pelo médico cirurgião, Renato Palma, a propósito do Dia Internacional da Tiróide, que se assinalou ontem, tendo revelado que, anualmente, são atendidos na referida unidade hospitalar, quarenta casos.
O médico cirurgião Renato Palma disse que dos 40 casos diagnosticados e controlados na área de endocrinologia, o estado epidemiológico dos pacientes é razoável, numa altura em que se aconselha o uso do sal iodizado, ou seja, sal de cozinha (NaCl), com o objectivo de evitar ou diminuir a tendência de mais casos.
O especialista deu a conhecer que nas consultas externas feitas na unidade sanitária, dos 15 a 20 pacientes assistidos de segunda à sexta-feira na área de endocrinologia, podem aparecer um ou dois novos casos de pacientes com tiróide em cada consulta.
Quanto à nossa realidade, afirmou que existem zonas consideradas endémicas, onde predominam vários casos da doença. Para o correcto funcionamento da glândula da tiróide, disse, é necessário que o indivíduo deve estar nutrido com iodo, que é um componente normal do sal de cozinha, que deve ser consumido com moderação e cuidado para evitar a enfermidade.
Na óptica do médico cirurgião, as províncias do Leste e do Oeste do país, a destacar Moxico, as Lundas Norte e Sul, bem como Cuando e Cubango, pelo défice no consumo de sal idodizado, são consideradas regiões com maior número de pessoas com a tiróide.
E acrescentou, ainda, que foi recolhida bibliografia médico-científica, relativamente ao facto e condição da região ser altamente endémica, para estudos aprofundados e tomada de medidas consentâneas.
Médico Endocrinologista
De acordo com o médico endocrinologista, José Mavungo Francisco, a tiróide é uma glândula que se localiza na parte anterior e baixa do pescoço, que produz hormonas importantes para o funcionamento do organismo humano.
A tiróide, acrescentou, é fundamental como regulador de metabolismo, no crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso central, respiratório, no controlo da temperatura, da tensão arterial e de toda energia que o organismo produz para manter o corpo em actividade.
Realidade da doença no nosso contexto
Tendo em conta a existência de regiões consideradas endémicas, o médico revelou que a situação ainda é preocupante devido à falta de cobertura especializada de saúde no resto do país, sendo que a grande maioria dos casos é considerada subdiagnosticada e não registada. “Criamos a nossa base de dados. Agora, a mostra que temos ainda não é representativa e, na realidade, não temos a noção real da doença. Temos sinais de que a situação é bem mais grave”, sublinhou.
Média de pacientes atendidos na área de Endocrinologia
Em média semanal, frisou, nas duas consultas por semana, o atendimento é de três a quatro doentes entre os 20 marcados por dia, tendo enfatizado que o histórico familiar pode ser um dos factores na aparição da doença em outros membros de família.
Em relação a diferença entre o hipertiroidismo acrescentou, é quando a glândula da tiróide está muito acelerada e hipotiroidismo é quando a mesma trabalha lenta e a tiroidite é a inflamação da glândula da tiróide que se deve a diversos casos como por vírus ou infecção.
Causas apontadas
Entre várias causas, afirmou, estão o excesso e diminuição do iodo, a existência de outras substâncias chamadas boxigenas, alguns medicamentos e infecções por vírus a nível da tiróide.
E quanto a idade da maior possibilidade do aparecimento da doença, contou que inicia dos 20 aos 50, com predominância em mulheres devido à produção de hormonas cujos sinais variam entre o hipertiroidismo, hipotiroidismo, tiroidite, bócio, com sintomas de compressão e cancro da tiróide.
Sintomas mais comuns
Quanto aos sintomas, disse que o paciente com problemas na tiróide pode apresentar alguns sinais comuns que incluem a fadiga, alteração no peso, problemas na pele e no cabelo, mudanças de humor, alteração no ciclo menstrual e sensibilidade ao frio ou calor, sendo que a prevenção passa pelo consumo de sal iodado.
Tratamento previsto
O especialista prosseguiu dizendo que cada doença da tiróide tem o seu tratamento específico, afirmando que para hipotireoidismo (no funcionamento lento), geralmente se usa a reposição hormonal com medicamentos como levotiroxina e hipertireoidismo (tiróide superactiva), as opções incluem medicamentos anti tireoidianos, terapia com iodo radioativo ou cirurgia.
História da paciente
Marinela Saldanha, de 15 anos, (nome fictício), aos oito anos de idade, a mãe notou um aumento anormal na região da garganta. Preocupada, procurou pelos serviços pediátricos de algumas unidades sanitárias para ver resolvida a situação da saúde da menor na altura.
A mãe da paciente explicou que era um caso curioso, dada a idade da menina, que aparentava estar bem e com aspecto saudável. Pela aparência, os médicos diziam que era uma questão normal. “De repente, a minha filha, que era gordinha, começou a emagrecer e a ter dificuldade na ingestão de alimentos, procuramos novamente pelos serviços de saúde e a descoberta da causa”, contou a mãe.
O médico cirurgião, Renato Palma, explicou que depois de alguns exames para a descoberta da patologia, e pelos trabalhos médicos, foi descoberto que a paciente padecia de um tumor na tiróide.
“Enviámos para o endocrinologista que fez a primeira parte do tratamento para compensar a paciente e com o tratamento inicial, a glândula diminuiu de tamanho e a tempo fizemos a cirurgia para a remoção de quase 80 por cento da glândula. O quadro clínico evoluiu satisfatoriamente, foi dada a alta médica e hoje está a ser seguida nas consultas externas”, acrescentou.
O médico frisou que independentemente de a patologia aparecer a partir dos 22 aos 35 anos, que é o intervalo de idades da probabilidade do seu aparecimento a mesma ainda pode surgir na tenra idade, como no caso raro da paciente que começou aos oito anos.
Sobre conviver com a doença na idade da filha, a mãe contou que foi um momento difícil ver a menina a ser chamada nomes e sofrer bullying na escola por parte de colegas e na vizinhança, por todas as consequências que pode trazer para o crescimento e o desenvolvimento da criança.
O cirurgião apelou aos pacientes, tendo em conta a importância da glândula tiróide e aos que têm um aumento de volume a nível da região anterior do pescoço que procurem por um médico clínico geral para que possa ser encaminhado a consulta de especialidade para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Atendendo a demanda, disse que o número de especialistas ainda é insuficiente para acudir ao número de casos, tendo em conta que a região cervical é uma zona de muita complexidade e extremamente importante para a vida. “Seria bom termos mais médicos especialistas para podermos dar solução à demanda que acorre aos nossos serviços de saúde”, apelou.
Sobre o dia de celebração
O tema da campanha do Dia Internacional da Tiróide de 2025, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é "Tiróide e Coração na Dose Certa", destacando a relação entre a saúde da tiróide e a saúde cardiovascular.
Institucionalização da data
O Dia Internacional da Tiróide foi institucionalizado com o objectivo de aumentar a consciencialização e o entendimento sobre os problemas de tiróide, os desafios enfrentados pelas pessoas com distúrbios da glândula a nível internacional.
A data, comemorada anualmente a 25 de Maio, foi estabelecida pela Federação Internacional de Tiróide e visa despertar a população sobre os cuidados da saúde da tiróide, os diversos problemas que podem afectar a glândula como hipotireoidismo, hipertireoidismo, nódulos, câncer e outras doenças.
Informação sobre os sintomas
Para que se possam identificar possíveis problemas e procurar ajuda médica, orientar sobre a prevenção e o tratamento e para que se possam tomar medidas para prevenir e receber tratamento adequado em caso de diagnóstico.
Promover a pesquisa e o desenvolvimento de novos tratamentos
Para que as pessoas com doenças da tiróide possam ter acesso aos melhores cuidados e chamar a atenção para a saúde e a necessidade de se cuidar dessa glândula tão essencial para o bom funcionamento do corpo.



