Famílias são desafiadas a reforçar a transmissão da fé entre gerações

A família continua a ser o principal espaço de transmissão da fé, dos valores cristãos e da educação humana.
A afirmação foi feita ontem pelo arcebispo Metropolita de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, durante a missa solene de encerramento da 19.ª Peregrinação de Santa Ana. O evento, realizado na Bacia de Retenção em Caxito, província do Bengo, reuniu mais de 25 mil fiéis de várias regiões do país. Na homilia, o prelado sublinhou que a celebração de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus Cristo, convida as famílias a redescobrirem a missão de educar os filhos na fé, no perdão e nos valores do Evangelho. Dom Filomeno defendeu que os idosos desempenham um papel insubstituível na formação das novas gerações por serem depositários da memória e da sabedoria. Lembrou ainda que, inspirado nos avós de Jesus, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos para sensibilizar a sociedade sobre a importância da terceira idade. O arcebispo manifestou profunda preocupação com o crescente isolamento dos mais velhos, alertando que esta realidade — antes comum no estrangeiro — começa a verificar-se em Angola.“Os idosos não são um produto descartável”, afirmou, reforçando que a reforma não anula a missão de aconselhar. O arcebispo lamentou que a sociedade moderna, muitas vezes focada apenas na produtividade económica imediata, tenda a marginalizar aqueles que já deram o seu contributo activo no mercado de trabalho. Para o prelado, a transição para a reforma deve ser encarada como uma nova etapa de utilidade social, onde o idoso deixa as funções técnicas para assumir o papel de conselheiro e guardião dos valores morais, sendo um erro grave privar as novas gerações dessa orientação. Dom Filomeno alertou que a falta deste acompanhamento sénior deixa a juventude mais exposta e vulnerável às ilusões de um mundo hiperconectado, mas muitas vezes vazio de afectos e de referências éticas. Ao afastar os avós do processo educativo, a sociedade rompe o fio condutor da sua própria história, gerando uma crise de identidade que se reflecte no enfraquecimento do respeito mútuo e da coesão social. A peregrinação, que durou três dias, encerrou sob o lema “Com Santa Ana, caminhemos como discípulos chamados e instruídos pelo Senhor”. Fiéis destacam ensinamentosA mensagem do arcebispo encontrou eco entre os milhares de peregrinos presentes na celebração. João Manuel Pedro, de 58 anos, proveniente do município do Ambriz, na província do Bengo, afirmou que regressa a casa decidido a colocar em prática os ensinamentos recebidos. Por sua vez, Venância Quintas, de 49 anos, residente no município do Cazenga, província de Luanda, considerou que a mensagem deixou um forte apelo à responsabilidade das famílias. “As palavras do Arcebispo tocaram-me profundamente. Aprendi que não basta rezar, é preciso viver a fé todos os dias e transmiti-la aos nossos filhos através do exemplo. Saio desta peregrinação com o compromisso de fortalecer a união da minha família”, prometeu. Comunhão na féPor sua vez, o vice-governador provincial do Bengo para o sector Técnico e Infra-estruturas, Edson Cruz, afirmou que a 19.ª Peregrinação de Santa Ana constitui um grande momento de comunhão na fé, reflectindo a profunda religiosidade dos fiéis e a importância da celebração para a província.


