Feirantes do Mercado da Liberdade recusam-se a abandonar o espaço e acusam Administração do Kilamba Kiaxi de “agir de má fé”

As vendedeiras do “Mercado da Feira da Liberdade”, localizado no separador central do Golfe 2, no município do Kilamba Kiaxi, desmentem as alegações das autoridades locais sobre os riscos que o espaço representa no exercício da actividade comercial.
Em causa está um aviso lançado pela Administração do Kilamba Kiaxi, que fundamenta por intermédio de um comunicado divulgado nas redes sociais, sobre a necessidade de desactivação do mercado a ser feita esta sexta-feira, 12, no âmbito dos esforços enquadrados no Programa de Reordenamento do Comércio (PRC), com vista a proporcionar uma actividade comercial mais organizada e segura.
Em declarações feitas à imprensa na manhã desta quinta-feira, 11, as feirantes acusam o pelouro de Naulila André de agir de má fé, e com objectivos inconfensos com vista a se apropriar do espaço coomercial.
“Nós vendemos aqui há 9 anos, e nunca tivemos problemas de falta de organização e riscos que a administração tem dito. Aqui sustentamos as nossas famílias, é daqui onde consegeguimos dinheiro para formar os nossos filhos que estão no ensino médio, e outros nas universidades, agora é que eles vêm e dizem que vão fechar, nós não vamos sair”, disseram visivelmente surprendidos com a medida da Administração Municipal do Kilamba Kiaxi.
Por sua vez, a gestora auxíliar do mercado, Jurelma Caçoba, disse que as motivações levantadas pelas autoridades locais sobre os riscos para a segurança são infundadas e com intenções pessoais inconfessos.
“A razão pela qual estamos todos aqui é para manifestar porque nós não concordamos. A alegação da administração é que nós constituímos perigo para a localidade, coisa que não é verdade. Junto deste perímetro temos os bancos, temos a PEP e outras instituições comerciais que também têm funcionado de forma normal, tal como a Feira da Liberdade”, disse.
Jurelma Caçoba levanta ainda suspeições sobre o local onde se pretende alocar as feirantes, afirmando que não há espaço oi localidade mais acolhedor para a prática do comércio que não seja a “Feira da Liberdade”.
“Eles alegam também que vão tirar daqui o pessoal para, posteriormente, mandar a um novo mercado, nomeadamente chamado Tecnotour, e que o lugar alberga mil pessoas. Isso é mentira, não chega. Nós temos aqui, literalmente, cerca de 1.500 vendedoras e o lugar lá só alberga cerca de 200 vendedoras. Eles até podem tirar aqui, mas é a minoria. E onde é que fica o restante das vendedoras”, alerta.
Para a responsável, o ideal a esta altura seria uma atenção especial aos problemas mais urgentes que o município se debate nesta altura, como o caso da vend ambulante.
“Eu dou um apelo à administradora Naulila André, primeiramente, para ver as pessoas que estão lá do outro lado do perímetro do Golfo 2, porque tem muita gente a vender de forma desordenada, que faz venda ambulante, e que são pessoas que constituem perigo para a travessia deste perímetro da cidade. Não as nossas vendedoras, que são pessoas que estão bem alocadas, bem sentadas, e não temos problema nenhum”, vincou.
Referir que o “braço de ferro” sobre a retirada das feirantes naquele perímetro já perdura há mais de três anos, desde a gestão de Naulila André no Kilamba Kiaxi.
A Feira da Liberdade alberga cerca de mil e quinhentas vendedeiras, que práticavam o comércio ambulante no Golfe 2 nos anos de 2010, um período de forte afirmação da venda em zonas de risco na capital angolana.


