Financiamentos externos disparam 880% no I trimestre para 2,0 biliões de kwanzas

O valor dos financiamentos externos garantidos pelo Governo no I trimestre deste ano disparou 880% para 2,0 biliões Kz face ao mesmo período de 2024, e 4.845% face ao I trimestre de 2023, de acordo com cálculos do Expansão com base no relatório de Execução Orçamental do I trimestre, publicado no site do Ministério das Finanças (MinFin). Três quartos dos empréstimos, um total de 1.600 milhões USD, foram para pagar projectos de investimento público num ano em que o País celebra os 50 anos de independência.
O primeiro trimestre do ano foi marcado por uma nova queda na produção de petróleo, desta vez de 7% face ao mesmo período de 2024, que acabou por contribuir ( juntamente com a descida do preço de exportação) para a queda de 18% na receita bruta com a exportação do "ouro negro", passando de 7,8 mil milhões USD para 6,4 mil milhões USD, segundo o Outlook divulgado recentemente pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás. Angola produziu por dia menos 50 mil barris face aos 1,098 milhões /dia previstos no OGE.
Esta queda das exportações petrolíferas teve como consequências a arrecadação fiscal, uma receita que anda sempre ao "sabor" do que acontece com o preço do petróleo. Para 2025, o Governo registou como previsão de receita no OGE cerca de 34,6 biliões Kz, divididas em receitas correntes (sobretudo impostos) e receitas de capital (financiamentos).
Dos 19,8 biliões Kz de receitas correntes, quase 10,9 biliões Kz provêem de receitas fiscais petrolíferas. E só no I trimestre arrecadou pouco mais de 2,0 biliões em receitas com a exportação de petróleo, que corresponde a 19% do valor para todo o ano. Se tivesse garantido 25%, teria arrecadado mais 676,1 mil milhões. Contas feitas, em receitas correntes o Executivo garantiu um total de 3,4 biliões Kz, que equivale a 17% das projecções inscritas no OGE para todo o ano.


