A conectividade em algumas das zonas recônditas do país está a ter dias melhores, desde há duas semanas, com a migração e recuperação das antenas do AngoSat-2, um processo iniciado por jovens técnicos recém-formados e quadros do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), informou, quinta-feira, a coordenadora de comunicação da organização.
Fabiana André disse que, com a iniciativa, o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social pretende melhorar a expansão do sinal nas localidades mais distantes, de forma a conectar os moradores destas regiões com o mundo.
Ao todo, apontou, são um total de 11 antenas, instaladas em zonas recônditas do país, que, por algum tipo de avaria, deixaram de emitir o sinal e colocaram as populações beneficiárias sem acesso às informações do mundo.
“No final desse processo, que decorre até 26 do próximo mês, vamos deixar todas as antenas funcionais”, garantiu, acrescentando que o trabalho está a ser feito por um grupo de jovens técnicos recém-formados, em parceria com os quadros do GGPEN e alguns parceiros.
A maioria dos técnicos, avançou, foram formados no país e no momento estão aptos para dar continuidade ao processo de manutenção desses pontos. A formação, frisou, ocorreu no âmbito do Fórum Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação de Angola (Angotic) 2026, que permitiu capacitar 640 jovens, de forma online e prática, nas províncias do Namibe, Huíla e Luanda.
“Actualmente, são esses formandos que estão nos acompanhando nesses trabalhos de recuperação dos pontos de conectividade ao longo do país”, elogiou, além de reconhecer o impacto social que a iniciativa tem, em especial nas comunidades abrangidas.
Abrangência
O trabalho, de acordo com Fabiana André, está a ter uma recepção positiva nas localidades abrangidas, que, com a perda do sinal, ficaram desconectados do mundo. Entre os exemplos, a coordenadora apontou os ganhos do projecto para os habitantes de Bula Atumba, na província do Bengo, uma região que dista a 304 quilómetros de Caxito, a capital provincial.
O processo de restauro e migração das antenas, que já foi feito também no município de Belo Horizonte, no Bié, está a ajudar, de acordo com a coordenadora, a reduzir as limitações de cobertura das redes convencionais. “São localidades onde as antenas de comunicações não funcionam de forma correcta e as estações do AngoSat-2 são a única forma de conectividade”, destacou.
No momento, frisou, a equipa técnica, que deveria trabalhar no Icolo e Bengo ontem, está a caminho da comunidade de Quirimbo, no município da Quilemba, no Cuanza-Sul. Os trabalhos no Icolo e Bengo não foram completados, esclareceu, por motivos de força maior.




