O director-geral do Instituto Nacional da Criança (INAC) defendeu , ontem, na cidade do Sumbe, província do Cuanza-Sul, uma maior protecção da criança durante as práticas desportivas, porque o desporto constitui um direito fundamental dos menores.
E por ser um direio fundametal, disse Paulo Kalesi, cabe a todas as instituições garantir o seu exercício em plenas condições de segurança.
Paulo Kalesi fez estas considerações durante o seminário sobre os Princípios dos Direitos da Criança no Desporto, promovido pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) e contou com a participação de vários sectores da sociedade .
O gestor do INAC explicou que a sua instituição elaborou um manual com elementos básicos para a prevenção da violência contra a criança no desporto, instrumento que deve ser distribuído aos treinadores e dirigentes desportivos, com o objectivo de reforçar a capacidade de prevenção e protecção a esse segmento da população.
O director-geral do INAC pediu aos administradores municipais para ajudar a proteger as crinças nas comunidades, porque quando uma criança é violada, abusada ou se encontra em situação de vulnerabilidade nas ruas, o administrador municipal deve ser chamado a assumir responsabilidades por ser a autoridade máxima na localidade.
Paulo Kalesi explicou que o INAC tem como missão advogar, informar, sensibilizar, propor e sugerir medidas destinadas à protecção da criança, estando igualmente empenhado em levar aos responsáveis e fazedores de políticas os instrumentos necessários para concretizar as orientações estabelecidas pelas autoridades.
De acordo com o resposánvel do INAC, a protecção das crianças deve começar pela selecção e acompanhamento dos profissionais que trabalham com menores, sublinhando a necessidade de se saber quem é a pessoa ou treinador que vai estar com as crianças, qual é o currículo e quais são os antecedentes do mesmo.
A ausência de mecanismos de controlo, frisou, pode transformar o espaço destinado à prática livre e segura do desporto num ambiente de risco, acrescentando ser necessária a participação das próprias crianças nas decisões que lhes dizem respeito.
“Conforme a idade e o grau de maturidade, os menores devem ser ouvidos sobre as condições de treino, dificuldades, expectativas e experiências no ambiente desportivo”, disse.
Um dos principais objectivos do seminário foi capacitar responsáveis de diferentes instituições sobre o direito de participação da criança e os princípios que devem orientar a prática desportiva, com particular atenção à prevenção da violência.
Desporto é ferramenta poderosa de educação
A vice-governadora para o sector Político, Social e Económico, Clara Tavares, ao presidir ao acto de abertura do seminário , disse que o desporto constitui uma poderosa ferramenta de educação, disciplina, socialização e formação de valores.
Clara Tavares advertiu que a busca pela excelência desportiva não pode ser feita à custa dos direitos, da saúde, da formação académica e do equilíbrio emocional das crianças.
“A criança atleta deve continuar, antes de tudo, a ser criança, e esta premissa deve orientar as decisões de todos os que acompanham o percurso desportivo dos menores”, disse.
Segundo a governante, as exigências dos treinos, competições, viagens e da procura por melhores resultados podem representar uma carga física e psicológica significativa, razão pela qual, devem ser assegurados períodos adequados de descanso e recuperação, acompanhamento psicológico, alimentação equilibrada, cuidados médicos e uma gestão responsável das cargas de treino e competição.
“A formação de um campeão não significa acelerar a infância, pois deve existir uma preparação progressiva que preserve o prazer pela prática desportiva e permita à criança alcançar níveis superiores de desempenho no momento adequado”, frisou.
A vice-governadora atribuiu também um papel fundamental aos pais e encarregados de educação, que devem ser os primeiros defensores do equilíbrio entre o desporto, a escola, o descanso, a convivência familiar e o desenvolvimento social dos menores.
“O talento desportivo pode abrir portas, mas a educação oferece ferramentas para toda a vida, por isso, a política desportiva não se deve limitar à descoberta de talentos, mas ,sim, contribuir para a formação de cidadãos”, disse.




