Os factos que afectam directamente a vida nos bairros periféricos de Angola constituem um factor crucial para a efectivação da prática do Jornalismo Comunitário.
Esta afirmação consensual foi partilhada ontem, em Luanda, por profissionais do sector da Comunicação Social durante o primeiro Festival de Jornalismo Comunitário. A actividade, promovida pela associação cívica “UYELE”, enquadra-se no projecto “Promoção da Liberdade de Expressão e de Imprensa nas Áreas Periféricas”.
O evento reuniu jornalistas, professores, representantes ministeriais e mentores de projectos ligados à comunicação nas comunidades.
Para o jornalista Dinis Kapapelo, o maior mérito do Jornalismo Comunitário reside na capacidade de dar visibilidade a problemas locais que nem sempre encontram espaço nos grandes órgãos de informação.
Questões relacionadas com o saneamento básico, a falta de água e de energia eléctrica, explicou, acabam muitas vezes preteridas por temas de maior dimensão nacional. “A divulgação desses problemas pode pressionar as autoridades competentes a encontrar soluções e aproximar os decisores das necessidades reais das populações”, sublinhou.
Por sua vez, a jornalista Esmeralda Chiyaka Direito defendeu a criação de rádios comunitárias como forma de ampliar o alcance da informação junto dos cidadãos. “O cenário actual é marcado pela existência de algumas iniciativas de Jornalismo Comunitário, mas estas ainda são insuficientes para responder às reais necessidades das comunidades”, considerou.
Já o jornalista e professor Augusto Cuteta destacou os desafios do ensino na área, numa altura em que os estudantes ingressam no ensino médio com acentuadas debilidades na escrita. “Ao invés de ensinar apenas técnicas de Jornalismo, vemo-nos na obrigação de ensinar também Gramática", lamentou.
A encerrar as reflexões, o presidente do Instituto para a Comunicação Social da África Austral (MISA Angola), André Mussamo, referiu que a dimensão territorial e populacional do país torna indispensável a existência de mecanismos complementares aos meios convencionais. “Não há Jornalismo Profissional que tenha a capacidade de olhar para todos os problemas ao mesmo tempo”, afirmou.




