Benguela – Mais de quarenta mil famílias do município da Ganda, província de Benguela, poderão beneficiar de energia eléctrica em 2027, com a construção da linha de transporte de energia de 220 quilovolts (kV) Lomaúm-Huambo, cujas obras arrancaram esta sexta-feira.
Benguela – Mais de quarenta mil famílias do município da Ganda, província de Benguela, poderão beneficiar de energia eléctrica em 2027, com a construção da linha de transporte de energia de 220 quilovolts (kV) Lomaúm-Huambo, cujas obras arrancaram esta sexta-feira.
O projecto, promovido pelo Ministério da Energia e Águas (MINEA), através da Rede Nacional de Electricidade (RNT-E.P.), responsável pela coordenação e gestão, está orçado em mais de 89 milhões de euros, financiados pelo banco Crédit Agricole CIB, no âmbito da cooperação económica entre Angola e o Reino Unido.
A empreitada, com foco na interligação eléctrica entre as províncias de Benguela e do Huambo, prevê um prazo de execução de 24 meses e foi consignada à empresa Elecnor, com fiscalização da Dar Africonsult, devendo criar cerca de 800 postos de trabalho directos durante a fase de construção.
O projecto contempla a construção de duas linhas de transporte de energia, sendo a primeira de 220 kilowatts entre Lomaúm e Ganda, com aproximadamente 37,56 quilómetros de extensão e 85 torres, e a segunda entre Ganda e Belém, no Huambo, com 117,4 quilómetros e 250 torres.
A par disso, está igualmente prevista a construção de uma nova subestação na Ganda de 60/30 kV, bem como a adequação da subestação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Lomaúm, de modo a permitir a recepção da nova linha.
Ao intervir no acto de consignação, o director do projecto, Frederico Candelena Vidal, explicou que a infra-estrutura permitirá transportar energia desde a subestação de Belém, no Huambo, até à Ganda, e estabelecer a ligação com a central hidroeléctrica de Lomaúm.
Segundo o responsável, a subestação Ganda 220/60 kV contará com um transformador de 60 MVA, permitindo reforçar o fornecimento de energia não apenas à Ganda, mas também a municípios como o Cubal.
A subestação Ganda de 60/30 kV permitirá, por sua vez, reduzir a tensão para níveis adequados à distribuição nas localidades da região.
Frederico Candelena Vidal destacou que uma das principais vantagens do projecto será o chamado “fecho do anel eléctrico”, permitindo criar uma ligação alternativa entre Lomaúm e Belém, no Huambo, e conferir maior estabilidade e redundância ao sistema eléctrico da região.
Explicou que, em caso de interrupção do fornecimento proveniente da actual rede, a nova ligação poderá assegurar uma alternativa para manter o abastecimento de energia à província de Benguela, reduzindo o risco de interrupções prolongadas.
O responsável considerou ainda que a nova infra-estrutura poderá contribuir para a diversificação económica, através do reforço do fornecimento de energia à indústria, comércio e sector agrícola.
“A energia atrai investidores”, sublinhou, acrescentando que a disponibilidade de electricidade mais estável poderá estimular a instalação de novas actividades económicas e melhorar os serviços prestados às comunidades.
O traçado da linha atravessa zonas próximas do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e da estrada nacional que liga as regiões do Huambo e Belém, criando condições para o surgimento e expansão de actividades comerciais e de serviços ao longo dessas importantes vias de circulação.
O projecto prevê também impactos sociais significativos, com a possibilidade de beneficiar directamente cerca de dois milhões de pessoas através do reforço da rede eléctrica regional, incluindo famílias, escolas, unidades de saúde, indústrias e outras instituições.
No domínio ambiental e social, Frederico Candelena Vidal referiu que foram identificadas e cadastradas cerca de 850 parcelas e áreas de cultivo situadas ao longo do traçado da linha e nas zonas destinadas à implantação das subestações, de forma a assegurar que as famílias abrangidas sejam indemnizadas.
Até ao momento, de acordo com Frederico Candelena Vidal, cerca de 300 pessoas já receberam as respectivas indemnizações, enquanto os restantes beneficiários deverão ser abrangidos nos próximos dias.
O lançamento da primeira pedra do projecto realizou-se na Ganda e foi orientado pelo secretário de Estado para a Energia, Herlindo Carlos, na presença do governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, dos presidentes dos Conselhos de Administração da RNT e ENDE, respectivamente, Rui Gourgel e Pedro Buca, entre outras individualidades. JH/CRB




