O Sindicato dos Médicos Angolanos questiona a realização de campanhas massivas de vacinação num contexto marcado por falhas recorrentes no abastecimento de vacinas às unidades sanitárias do país, situação que, segundo o seu presidente, Adriano Manuel, compromete a imunização regular das crianças.
O responsável manifesta preocupação com as rupturas de stock registadas nos últimos meses, sobretudo de vacinas essenciais do Programa Alargado de Vacinação, como a BCG, a pólio, a pentavalente e a do sarampo.
Para Adriano Manuel, a falta destes imunizantes nas unidades sanitárias coloca em causa a continuidade dos serviços de vacinação de rotina, apesar dos esforços desenvolvidos pelo Executivo angolano através de campanhas de imunização em massa.
“Não faz sentido promovermos campanhas massivas quando nem sequer garantimos a vacinação de rotina nas unidades sanitárias”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos Angolanos.
O sindicalista refere que a situação afecta directamente as famílias, uma vez que algumas mães se deslocam aos centros de saúde para vacinar os filhos e acabam por regressar sem receber o atendimento pretendido, devido à indisponibilidade das doses.
Na sua avaliação, estas dificuldades podem reduzir a cobertura vacinal e deixar crianças vulneráveis a doenças que podem ser prevenidas através da imunização.
Adriano Manuel defende, por isso, uma melhor organização da cadeia de distribuição, maior transparência na gestão dos stocks e o reforço dos meios logísticos, para assegurar que as vacinas cheguem atempadamente às unidades sanitárias de todas as províncias, incluindo as localidades mais recônditas.
A preocupação surge num momento em que Angola realiza, de 23 a 27 de Outubro, uma campanha nacional integrada de vacinação contra a poliomielite, o sarampo, a rubéola e a febre amarela, dirigida a mais de 10 milhões de crianças.
Embora as campanhas extraordinárias permitam ampliar a protecção contra doenças específicas, a Organização Mundial da Saúde e as autoridades sanitárias sublinham que a sua eficácia deve ser acompanhada pela continuidade da vacinação de rotina, garantindo que as crianças recebam as doses previstas no calendário nacional.




