O reforço das políticas públicas de prevenção e adaptação às alterações climáticas é fundamental para reduzir a vulnerabilidade de Angola aos fenómenos climáticos extremos, defendeu, ontem, o presidente da associação ambiental Minuto Verde.
Rafael Lucas, que falava à margem do Dia Internacional contra as Alterações Climáticas, assinalado ontem, disse que para responder aos desafios impostos pela seca, irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas, é importante que se adoptem medidas estruturadas e sejam feitos investimentos em infra-estruturas resilientes.
Adicionalmente, o ambientalista defendeu a urgência de se instalarem sistemas de alerta precoce, de aprimorar o ordenamento do território e de garantir uma gestão sustentável dos recursos hídricos nacionais.
Na sua visão, as alterações climáticas constituem um dos maiores desafios da actualidade, com impactos directos na disponibilidade de água, na produção agrícola, na segurança alimentar, na biodiversidade, na saúde pública e na qualidade de vida das populações.
Na ocasião, Rafael Lucas salientou que Angola apresenta uma elevada vulnerabilidade à variabilidade climática, com especial incidência na região Sul.
Nessa zona, os períodos prolongados de seca severa comprometem severamente a actividade agrícola, reduzem as áreas de pastagem e dificultam o acesso à água potável para consumo humano e abeberamento do gado.
Estes impactos, sublinhou, exigem uma resposta governamental que ultrapasse as intervenções paliativas de emergência.
O ambientalista preconiza a adopção de políticas públicas consistentes, coordenadas e apoiadas por investimentos estruturantes que capacitem as comunidades a antecipar e enfrentar os riscos.
Rafael Lucas defendeu, igualmente, o reforço da articulação entre os sectores do Ambiente, Agricultura, Energia e Águas, Saúde, Protecção Civil e Educação.
O objectivo é assegurar uma abordagem integrada na prevenção de riscos climáticos, incluindo os efeitos associados ao fenómeno El Niño — evento caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, que desregula os padrões de pluviosidade na região.
Sobre a data
O Dia Internacional contra as Alterações Climáticas, assinalado anualmente a 24 de Outubro, visa sensibilizar os Governos, empresas e cidadãos sobre os impactos do aquecimento global, destruição de ecossistemas e a urgência da transição energética e de medidas de adaptação climática.




