O Movimento Pró-Albino de Angola (MOVALBA) manifestou, ontem, em Luanda, forte preocupação com a divulgação de vídeos que promovem a humilhação pública e a discriminação de cidadãos com albinismo.
A organização reúne associações dedicadas à defesa dos direitos, dignidade e à inclusão social desta comunidade no país. Em entrevista ao Jornal de Angola, o presidente da MOVALBA, Moisés Cardoso, reagiu a um vídeo viral que envolve um jovem com albinismo. Na gravação, o cidadão — apontado como militante de um partido da oposição — relata sofrer com a fome e o desemprego. A instituição condenou firmemente a exposição e a instrumentalização política da situação. “Apelamos à dignidade e à prudência. O movimento manifesta profunda preocupação perante qualquer exposição pública e humilhação da pessoa com albinismo”, declarou. Moisés Cardoso salientou que a organização apela a todas as forças políticas na-cionais para que garantam um tratamento digno às pessoas com albinismo que integram as suas estruturas. O responsável associativo defende que esses cidadãos devem ser protegidos contra a discriminação e amparados para exercerem os seus direitos em condições de igualdade. O movimento convida, igualmente, os partidos políticos a traduzirem o discurso de inclusão em compromissos efectivos pela igualdade de oportunidades, protecção dos direitos humanos e eliminação das barreiras quotidianas que afectam esta franja social. AproveitamentoSegundo Moisés Cardoso, a MOVALBA também manifesta preocupação com o uso de conteúdos digitais para a angariação de fundos destinados, aparentemente, ao apoio de um jovem com albinismo. Para esclarecimento público, a plataforma nacional informou que não reconhece como oficiais quaisquer campanhas associadas a esses conteúdos. “Sem colocar em causa a boa-fé de quem pretenda ajudar, recomendamos prudência aos cidadãos nas contribuições através das redes sociais. Quando uma campanha utiliza o rosto e a situação pessoal de uma pessoa com albinismo, a entidade responsável deve estar claramente identificada”, ressaltou Moisés Cardoso. ParticipaçãoO responsável aproveitou a ocasião para lançar um apelo directo às forças políticas nacionais, instando-as a promover de forma activa uma participação responsável, inclusiva e representativa das pessoas com albinismo nas suas estruturas partidárias. Segundo o dirigente, é fundamental que os partidos assumam compromissos concretos e programáticos com a defesa e salvaguarda dos direitos desta franja da população, integrando as suas necessidades nas agendas políticas e nos manifestos eleitorais. Paralelamente, Moisés Cardoso dirigiu-se à comunidade de pessoas com albinismo, deixando uma mensagem de empoderamento e consciencialização. O activista reforçou que todos devem estar cientes de que possuem a legitimidade e o dever de exercer plenamente os seus direitos de cidadania. “Independentemente das opções ou posicionamentos político-partidários de cada um, as pessoas com albinismo têm o direito de expressar as suas opiniões com liberdade e de reivindicar activamente a igualdade de oportunidades”, sublinhou.




