O acesso das pessoas com albinismo à fotoprotecção, para os cuidados essenciais da pele e dos olhos da radiação solar, deve fazer parte do conjunto de medidas de saúde pública implementadas no país, disse, ontem, em Luanda, ao Jornal de Angola, o activista Moisés Cardoso.
Esta mensagem, de acordo com o presidente do Movimento Pro-Albino de Angola (MOVALBA), foi reforçada, durante a audiência que a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, concedeu à organização , a 5 deste mês, num encontro em que foram analisados os principais desafios enfrentados pela comunidade albina no país, sobretudo quanto à inclusão social, laboral e educacional, bem como o acesso à saúde, à habitação e o combate à discriminação.
No encontro, disse Moisés Cardoso, a Vice-Presidente da República garantiu a atenção do Executivo no que toca à situação das pessoas com albinismo em Angola.
Necessidades
O líder do Conselho de Direcção do MOVALBA destacou a necessidade de o protector solar passar a ser considerado um medicamento essencial, e não apenas um cosmético, como forma de garantir a protecção e a dignidade das pessoas com albinismo.
Este argumento, referiu, tem um fundamento sanitário directo, visto que o Censo de 2024 concluiu que Angola tem 599.028 pessoas com albinismo, correspondentes a 1,6 por cento da população.
Um rastreio nacional, realizado em Junho deste ano, mostrou que, em 781 pessoas com albinismo, 44 por cento apresentava queratose actínica e 15 por cento tinha cancro da pele, uma doença evitável e curável em mais de 90 por cento dos casos quando detectado precocemente.
Para as pessoas com albinismo, defendeu, o acesso contínuo à fotoprotecção e o diagnóstico atempado têm grande impacto na preservação de vidas. A queratose actínica, explicou, é uma alteração da pele considerada pré-cancerígena, causada pelo acúmulo de danos da radiação solar ao longo dos anos. “Ela se apresenta como manchas ásperas, secas ou escamosas, muitas vezes mais fáceis de sentir ao toque do que de ver”, referiu.
Vulnerabilidade
A par da dimensão sanitária, o presidente do MOVALBA chamou a atenção para a acentuada vulnerabilidade socioeconómica de grande parte desta franja social, que vive maioritariamente de baixos rendimentos e nem sempre tem acesso regular a serviços de Dermatologia e Oftalmologia, tornando o protector solar, quando disponível, insustentável para muitas famílias.
Moisés Cardoso disse que o movimento recordou durante a audiência concedida pela Vice-Presidente da República que várias medidas já foram assumidas pelo Executivo, no âmbito do Plano de Apoio e Protecção às Pessoas com Albinismo (PAPPA) e da Declaração da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), subscrita por Angola.
O passo em falta, ressaltou, é, sobretudo, o da concretização. Uma das prioridades, apontou, deve ser a inclusão do protector solar entre os medicamentos essenciais, com dotação orçamental anual, à semelhança da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das medidas já adoptadas por outros países africanos.
“Angola já deu um passo decisivo, histórico e exemplar para o continente, ao criar um plano nacional para o apoio e protecção das pessoas com albinismo, mas as deficiências na sua implementação traduzem-se em mortes evitáveis”, afirmou.




