A Polícia desmantelou uma associação criminosa dedicada a transações bancárias fraudulentas numa operação que culminou na detenção de oito pessoas que preparavam uma transferência de dez mil milhões de dólares.
A operação foi desencadeada na sequência de uma denúncia relativa a um alegado sequestro de um cidadão brasileiro de 38 anos, que chegou ao país a 24 de Junho para, supostamente, prestar serviços de informática numa universidade, segundo um comunicado da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais da Polícia Nacional.
No seguimento das investigações, o cidadão foi localizado, a 20 de Julho, num apartamento no município do Kilamba na companhia de sete cidadãos angolanos, facto que despertou a atenção dos investigadores, que concluíram tratar-se de um “hacker”.
O homem terá sido contactado através das redes sociais pelos angolanos, com quem orquestrou as acções criminosas, e deslocou-se a Luanda com a finalidade de interferir no sistema bancário para realizar transferências ilícitas de valores consideravelmente elevados.
Das diligências investigativas preliminares concluiu-se também que não se tratava de um caso de sequestro, mas de uma organização criminosa de âmbito transnacional, autodenominada "TERMINAL — Linha de Comando".
A rede, parcialmente desmantelada, composta por cidadãos angolanos, brasileiros, nigerianos e namibianos, dedicava-se à prática de crimes informáticos, nomeadamente invasão de sistemas bancários, intercepção fraudulenta de códigos OTP, burla informática, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.
"Para tal, os suspeitos usavam equipamentos informáticos e outros artifícios com a finalidade de interferir nos sistemas das instituições bancárias nacionais, nomeadamente BFA, BIC, BAI, BCI e Banco Millennium Atlântico", refere-se no comunicado.
As investigações permitiram ainda apurar que existem fortes suspeitas de que a organização já vinha realizando operações bancárias ilícitas e preparava a execução de uma transferência fraudulenta avaliada em cerca de dez mil milhões de dólares, através de vários bancos.
A organização contava com o envolvimento de funcionários de instituições públicas e privadas para facilitar o desbloqueio de contas e a obtenção de informações privilegiadas, bem como para encontrar esquemas irregulares que justificassem as transacções.
Durante as investigações foram detidos oito suspeitos, com idades compreendidas entre os 25 e os 38 anos, dos quais um cidadão brasileiro e sete angolanos.
Os autos foram remetidos ao Gabinete de Cibercriminalidade e Prova Electrónica da Procuradoria-Geral da República, onde os detidos foram ouvidos preliminarmente. Tendo em conta a gravidade do caso, foram presentes ao juiz de garantias para o primeiro interrogatório judicial.




