Polícia em Benguela acusada de travar manifestação pacífica contra abuso sexual e detém activistas

Benguela - Um grupo de activistas procura nas Esquadras da Polícia Nacional, na cidade de Benguela para obter informações sobre a detenção de jovens manifestantes deste sábado, 3 de Janeiro de 2026.
Segundo dados apurados pelo Club-K, são no total 28 activistas, que terão sido detidos e que se encontram na 2ª Esquadra da Polícia Nacional na província de Benguela, sendo que o activista Rafael Mendonça encontra-se detido na 1ª Esquadra.
As detenções aconteceram na manhã deste sábado, durante uma tentativa de manifestação pacífica contra o abuso sexual. De acordo com um comunicado da organização OMUNGA, “as diligências estão a ser feitas para que os mesmos sejam postos em liberdades.
“Não há uma acusação formal, a advogada está a ser impedida de ter contactos com os seus constituintes”, lê-se na nota, acrescentando que “deste modo, os retidos negam receber água e alimentação como sinal de protesto”.
A Friends of Angola (FoA) emitiu uma “nota de repúdio”, onde manifesta o seu “mais veemente repúdio ao impedimento e à repressão da marcha pacífica contra o abuso sexual e a violência contra mulheres e crianças, programada para o dia de hoje em várias províncias de Angola, bem como à detenção arbitrária de cidadãos que exerciam legitimamente o seu direito constitucional à manifestação”.
No comunicado enviado ao Club-K, a FoA entende que “este repúdio ocorre num contexto particularmente grave, em que o próprio Serviço de Investigação Criminal (SIC) confirmou a detenção de dois cidadãos acusados de envolvimento no crime de abuso sexual contra uma menor de 15 anos, no município de Viana”.
“Os implicados, com idades de 20 e 23 anos, irão responder pelos crimes de agressão física, abuso sexual de menor e devassa da vida privada. O SIC esclareceu ainda que nenhum dos detidos pertence aos órgãos de defesa e segurança”, reforçou.
De acordo com a nota, perante a gravidade destes crimes — que chocaram a sociedade angolana e reacenderam o debate público sobre a violência sexual contra crianças e mulheres — causa profunda indignação que o Estado tenha optado por reprimir manifestações pacíficas de repúdio e solidariedade com as vítimas, em vez de proteger e facilitar o exercício da cidadania ativa.
“A Friends of Angola condena, de forma particular, os acontecimentos registados em Luanda e Benguela”, lê-se.
Segundo denúncias públicas, em Luanda, a marcha foi impedida e centenas de pessoas foram trancadas no interior do Mercado do São Paulo, numa ação que levanta sérias preocupações quanto ao uso desproporcional da força e à violação das liberdades fundamentais.


