“Potencial agrícola de Angola depende da qualificação dos recursos humanos”, afirma especialista

Angola possui condições naturais favoráveis para se tornar uma referência agrícola em África, mas o aproveitamento desse potencial continua dependente da formação e qualificação dos recursos humanos ligados ao sector. A posição foi defendida pelo engenheiro agrónomo Adérito Costa, que considera a capacitação técnica um factor determinante para transformar as vantagens naturais do país em ganhos efectivos para a economia.
Segundo o especialista, a abundância de terras aráveis, a extensa rede hidrográfica e as novas oportunidades de escoamento da produção não serão suficientes sem profissionais preparados para responder aos desafios da actividade agrícola moderna.
“Estas valências só farão sentido se, de facto, apostarmos firmemente na formação dos técnicos que poderão usufruir, no âmbito da sua profissão, do exercício da actividade agrária”, afirmou.
Para Adérito Costa, Angola dispõe de recursos que colocam o país numa posição privilegiada para aumentar a produção agrícola e reduzir a dependência das importações alimentares. Entre os principais activos, destacou a existência de numerosos rios e vastas extensões de terra ainda subaproveitadas.
“Dispomos de muitos rios, temos grande capacidade de resposta hidrográfica. Temos terras que, maioritariamente, ainda não estão a ser utilizadas no exercício da actividade agrária”, sublinhou.
O engenheiro agrónomo considera, no entanto, que a exploração eficiente desses recursos exige mão-de-obra qualificada e quadros capazes de aplicar técnicas modernas de produção, gestão e conservação dos recursos naturais.
Além das condições naturais, o especialista apontou as melhorias nas infra-estruturas logísticas como um elemento que poderá impulsionar o sector. Neste âmbito, destacou o papel do Corredor do Lobito na ligação entre as zonas de produção e os mercados consumidores.
“Angola dispõe da nobre oportunidade de exportação via aérea e via marítima. Com o surgir do Corredor do Lobito, será possível facilitar o transporte dos produtos agrícolas do interior para os grandes canais de escoamento”, explicou.
Adérito Costa defende igualmente que a aposta na agricultura deve começar desde cedo, através da introdução de estratégias educativas que despertem o interesse das novas gerações pelo sector e promovam uma cultura de valorização da actividade agrícola.
“O ensino não deve ser visto apenas pelo âmbito do superior. Devemos criar estratégias para motivar as novas gerações a aplicarem-se no sector da agricultura desde a tenra idade, para que cheguem ao ensino superior já com conhecimentos e vocação para esta actividade”, defendeu.
O especialista acredita que a qualificação dos recursos humanos, aliada ao reforço do apoio aos agricultores e empreendedores rurais, poderá aumentar a produtividade, fortalecer a segurança alimentar e garantir matéria-prima para a indústria nacional.
Na sua perspectiva, o futuro da agricultura angolana dependerá menos da disponibilidade de recursos naturais que já existem em abundância e mais da capacidade de formar profissionais preparados para transformar esse potencial em desenvolvimento económico e social sustentável.


