Benguela - O projecto de construção de habitações sociais para realojar as famílias vítimas das cheias do Rio Cavaco, na província de Benguela, está a absorver, paulatinamente, mão-de-obra entre os próprios sinistrados da tragédia.
Benguela - O projecto de construção de habitações sociais para realojar as famílias vítimas das cheias do Rio Cavaco, na província de Benguela, está a absorver, paulatinamente, mão-de-obra entre os próprios sinistrados da tragédia.
A medida, que é notória na montagem de estaleiros das empresas contratadas pelo Governo para construção das habitações sociais, já permitiu, nesta primeira fase, a integração de 20 dos 57 trabalhadores sinistrados previstos, enquanto os restantes serão contemplados consoante o avanço dos trabalhos.
Em entrevista à ANGOP, esta terça-feira, o engenheiro civil da empreiteiraTchicambi, Martim Calava, confirmou a contratação dos sinistrados das cheias, de modo a permitir que deixem de ser apenas beneficiários das futuras habitações e passem também a participar directamente na sua construção.
“Em vez dos sinistrados simplesmente ficarem parados, houve a necessidade de realocar esses trabalhadores”, explicou Martim Calava, acrescentando que os trabalhadores integrados possuem conhecimentos em diferentes áreas ligadas à construção civil, incluindo pedreira, electricidade, ferragem e outras.
Martim Calava explicou que os trabalhadores estão a ser colocados progressivamente nos estaleiros, uma vez que as obras ainda se encontram numa fase inicial de instalação e preparação, tendo em vista posteriormente a feitura de estruturas das habitações.
Informou que a empresa Tchicambi conta actualmente com cerca de 100 trabalhadores no estaleiro, incluindo os sinistrados recrutados no âmbito da iniciativa de integração do Governo Provincial de Benguela.
O responsável considerou a participação dos afectados como uma forma de garantir que estes acompanhem de perto o processo de reconstrução das suas comunidades.
Mais empresas para acelerar as obras
Para além da empresa angolana de construção Tchicambi, o projecto conta com outras empreiteiras, incluindo chinesas, que estão a instalar os seus estaleiros na área destinada às habitações.
Ao todo, estão previstos quatro estaleiros, uma estratégia que visa acelerar a construção face ao elevado número de casas a erguer.
De acordo com Martim Calava, a concentração das obras numa única empresa poderia comprometer o cumprimento do prazo estabelecido, tendo em conta que o projecto prevê, numa primeira fase, a construção de 800 casas para as famílias afectadas pelas cheias de Abril deste ano.
Pedro José, operador de máquinas de uma das empresas envolvidas, também exprimiu satisfação com a inclusão paulatinamente dos jovens sinistrados do rio Cavaco na execução do projecto de construção de moradias sociais.
As autoridades prevêem que as obras possam ser concluídas num período máximo de oito meses, com a participação de várias empresas para garantir maior rapidez na execução.
Entre os beneficiários desta medida de integração laboral está o sinistrado Herculano Samutanga, pedreiro proveniente do bairro da Calomanga, cuja residência foi parcialmente destruída pelas águas.
O trabalhador manifestou satisfação por participar directamente nas obras, o que, a seu ver, representa uma esperança para os sinistrados que perderam os seus meios de subsistência.
Herculano, que anteriormente trabalhava como pedreiro em serviços particulares, considera que a possibilidade de participar na construção das novas habitações renova a esperança das famílias afectadas quanto ao seu reassentamento definitivo. JH/CRB




