Os restos mortais das vítimas do acidente de viação ocorrido na madrugada de 3 de Agosto, na Estrada Nacional (EN) 100, no município da Gangula, província do Cuanza-Sul, foram entregues sábado às respectivas famílias para a realização das cerimónias fúnebres.
O acto, marcado por momentos de profunda dor e consternação, foi testemunhado pelos vice-governadores da província de Benguela para o sector Político, Social e Económico, Cátia Cachuco, e para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Heitor Alfredo.
O Governo Provincial de Benguela, através do Gabinete Provincial da Saúde, endereçou condolências e palavras de conforto às famílias enlutadas.
A médica legista Fátima de Almeida explicou que a identificação das vítimas contou com a intervenção de peritos de criminalística das províncias de Benguela, Cuanza-Sul e Luanda, integrados no Serviço de Investigação Criminal (SIC).
Segundo a especialista, o acidente provocou 23 mortos, dos quais quatro eram ocupantes de um motociclo de três rodas e 19 eram passageiros do autocarro. Devido à gravidade da colisão, os corpos ficaram totalmente carbonizados.
Das 19 vítimas que seguiam no autocarro, 17 eram adultos e duas eram crianças: um recém-nascido de apenas três dias e outra de dois anos e seis meses, acrescentou a médica legista.
Para a identificação dos corpos, foram recolhidas amostras dos restos mortais e dos familiares, que foram posteriormente encaminhadas ao Departamento de Biologia Forense do Laboratório Central de Criminalística, em Luanda, referiu a especialista.
Os exames laboratoriais permitiram estabelecer os respectivos perfis genéticos e confirmar a identidade individual das vítimas, acrescentou a médica legista.
Fátima de Almeida destacou a complexidade da identificação do recém-nascido, tendo em conta o elevado grau de carbonização dos restos mortais.
Segundo explicou, apenas alguns ossos do crânio foram preservados. A identificação foi possível através da comparação com uma amostra genética de um adulto, cujo perfil correspondia ao do pai da criança.De acordo com a médica legista, quatro urnas foram transladadas para Luanda, duas para o município do Sumbe e uma para a Conda, no Cuanza-Sul.
Relativamente à distribuição na província de Benguela, quatro corpos permanecerão na capital homónima, três seguirão para o Lobito e três para a Baía Farta. Uma das urnas será encaminhada para a província do Namibe.




